Refinarias e plataformas param atividades em greve nacional contra proposta da Petrobras

Refinarias e plataformas param atividades em greve nacional contra proposta da Petrobras

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Fernando Frazão/Agência Brasil

Publicado em 15/12/2025 às 10:58 / Leia em 3 minutos

A semana começou com mobilização intensa nas unidades da Petrobras em todo o país. Petroleiros iniciaram, na madrugada desta segunda-feira (15), uma greve nacional após a categoria rejeitar a segunda contraproposta apresentada pela estatal para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O movimento, que a princípio tem duração de 24 horas, ocorre em um cenário de paralisação por tempo indeterminado.

Os impactos foram sentidos logo nas primeiras horas do dia. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), houve adesão integral no Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas.

No Sudeste, a operação de plataformas no Espírito Santo e no Norte Fluminense precisou ser entregue a equipes de contingência da empresa. Em terra, o protesto afetou a troca de turnos em seis grandes refinarias: Regap (MG), Reduc (RJ), Repar (PR), além de Replan, Recap e Revap, todas em São Paulo.

O impasse nas negociações gira em torno de três eixos que a categoria considera fundamentais e que, segundo os sindicatos, não avançaram na mesa de discussão. Os trabalhadores exigem melhorias no plano de cargos e salários, com blindagem contra ajustes fiscais, e a defesa de um modelo de negócios que fortaleça a companhia pública.

No entanto, o ponto mais crítico envolve a Petros, o fundo de pensão dos empregados. A FUP cobra o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs). Esse mecanismo é acionado quando o fundo registra rombo financeiro, obrigando a cobrança de descontos extras nos contracheques de funcionários da ativa, aposentados e pensionistas para cobrir a conta futura das aposentadorias.

Desde a última quinta-feira (11), grupos mantêm uma vigília em frente à sede da empresa, no Rio de Janeiro, pressionando por uma resolução.

A tensão se agrava ao comparar os números apresentados na negociação. O sindicato argumenta que, enquanto a Petrobras distribuiu R$ 37,3 bilhões em dividendos aos acionistas apenas nos primeiros nove meses do ano, a oferta para os trabalhadores incluiu um ganho real de apenas 0,5% no salário, além de manter diferenças contratuais entre funcionários da holding e das subsidiárias.

Enquanto representantes da categoria, do governo e da Comissão Quadripartite se reúnem em Brasília para tentar destravar o diálogo, a FUP afirma que a greve busca “respeito, dignidade e justa distribuição da riqueza gerada”. Procurada para comentar a paralisação e as reivindicações, a Petrobras ainda não se manifestou oficialmente.

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