Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, aponta estudo

Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, aponta estudo

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reprodução

Publicado em 15/12/2025 às 10:55 / Leia em 3 minutos

O compartilhamento de notícias de política está menos frequente em grupos de família, de amigos e de trabalho no WhatsApp, de acordo com dados do estudo “Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens”, divulgado nesta segunda-feira (15). O levantamento feito pelo centro independente de pesquisa InternetLab e pela Rede Conhecimento Social também identificou que mais da metade das pessoas que usam WhatsApp estão em grupos de família (54%) e de amigos (53%). Mais de um terço (38%) participam de grupos de trabalho. Apenas 6% estão em grupos de debates de política.

Ao investigar o conteúdo dos grupos de família, de amigos e de trabalho, os pesquisadores verificaram que, de 2021 a 2024, caiu a frequência dos que aparecem mensagens sobre política, políticos e governo. Em 2021, 34% das pessoas diziam que o grupo de família era no qual mais apareciam esse tipo de notícias. Em 2024, eram 27%. Em relação aos grupos de amigos, a proporção caiu de 38% para 24%. Nos de trabalho, de 16% para 11%.

A pesquisa identificou que há receio em compartilhar opiniões políticas. Pouco mais da metade (56%) dos entrevistados disseram sentir medo de emitir opinião sobre política “porque o ambiente está muito agressivo”. Os dados mostram ainda que 52% dos entrevistados se policiam cada dia mais sobre o que falam nos grupos, enquanto 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas.

“Acho que os ataques hoje estão mais acalorados. Então, às vezes você fala alguma coisa e é mais complicado, o pessoal não quer debater, na verdade, já quer ir para a briga mesmo”, conta uma entrevistada de 36 anos, de Pernambuco. “As pessoas foram se autorregulando, e nos grupos onde sempre se discutia alguma coisa, hoje é praticamente zero. As pessoas tentam, alguém publica alguma coisa, mas é ignorado”, descreve outra.

Dos respondentes, 29% já saíram de grupos onde não se sentiam à vontade para expressar opinião política. Já aqueles que se consideram seguros para falar sobre política no WhatsApp, adotaram estratégias como mandar mensagens de humor para tratar sobre o assunto sem provocar brigas (30%); falar sobre política diretamente com a outra pessoa, não em grupos (34%); e falar sobre política apenas em grupos com pessoas que pensam igualmente (29%).

A diretora do InternetLab Heloisa Massaro, uma das autoras do estudo, avalia que o WhatsApp é uma ferramenta “arraigada” no cotidiano das pessoas. Desta forma, assim como no mundo “offline”, o assunto política faz parte das interações. Além disso, ela pontua que, ao longo dos anos, as pessoas “foram desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política no aplicativo”, principalmente nos grupos.

“Elas se policiam mais, relatam um amadurecimento no uso”, diz a autora. “Ao longo do tempo, a gente vai observando essa ética de grupos nas relações dos aplicativos de mensagem para falar sobre política se desenvolvendo”, completa.

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