O ator, diretor, escritor e apresentador Lázaro Ramos fez um emocionante desabafo sobre os desafios enfrentados pela mãe, dona Célia Maria Ramos, no seu trabalho como empregada doméstica. O artista baiano foi homenageado durante o Globo Repórter desta sexta-feira (28) e, durante o bate-papo com a jornalista Sandra Annenberg, contou que a matriarca sofria maus-tratos constantes no trabalho. Proibida de comer carne no serviço, apenas ovo, ela já chegou a pegar o alimento escondido para dar ao filho.
Pra mim é muito difícil ficar falando sobre essas coisas, Sandra, porque eu não quero que isso me defina”, disse Lázaro.
Na ocasião, o artista também ganhou uma homenagem especial de um dos seus melhores amigos, o ator e diretor Wagner Moura, com quem mantém uma relação de cerca de 30 anos.
“Eu acho que é alguma coisa espiritual que aconteceu, que nós dois temos entre nós. A gente nunca brigou. Eu e o Lázaro, a gente vive uma harmonia única na minha vida. Então, a gente transcende o negócio de ser amigo. É irmão. Lázaro é meu irmão”, declarou Moura.
Na Nossa Pele
No início deste ano, Lázaro Ramos lançou o livro “Na Nossa Pele”, uma continuação do best-seller “Na Minha Pele”, no qual aborda algumas memórias com a sua mãe, Célia Maria do Sacramento, que trabalhou como empregada doméstica. Uma das histórias marcantes trazidas na obra foi quando Lázaro, aos 10 anos de idade, viu dona Célia ser agredida pela patroa. Anos depois, em 2022, o ator comprou o imóvel onde a situação criminosa aconteceu e eternizou sua mãe no local com um grafite.
“Numa dessas visitas, enquanto eu no quarto me distraía com algum brinquedo improvisado, ouvi de repente um estalo. Saí apressado para ver o que estava acontecendo e percebi que a patroa da minha mãe tinha acabado de dar um tapa no rosto dela. E continuava a humilhá-la”, escreveu o artista em “Na Nossa Pele”.
Em entrevista a um podcast, o baiano disse que essa reviravolta causou um misto de sentimentos. “A sensação foi de vingança misturada com justiça e insegurança. Descobri nesse dia que dava pra sentir tudo isso junto. E deu ainda uma vontade enorme de fazer o tempo voltar e compartilhar com minha mãe essa e tantas outras conquistas”, disse ele. Hoje, o apartamento é uma ONG que acolhe profissionais resgatados em trabalho escravo.