Consulta médica ou sessão de fotos? A pressão sutil de aparecer nas redes sociais do seu médico

Consulta médica ou sessão de fotos? A pressão sutil de aparecer nas redes sociais do seu médico

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 29/08/2025 às 12:59 / Leia em 3 minutos

Você vai ao consultório para uma consulta de rotina, talvez um exame preventivo ou apenas uma conversa sobre sua saúde. Tudo corre bem, até que — no fim do atendimento — vem a pergunta: “Posso tirar uma fotinha com você pra postar no Instagram da clínica?”

Cada vez mais comum, a cena ilustra uma tendência que vem se espalhando entre profissionais da saúde, especialmente em áreas como dermatologia, odontologia e medicina estética: a transformação do consultório em palco de marketing digital. E, no centro disso tudo, está o paciente — que muitas vezes não sabe se pode ou deve recusar.

A era da medicina instagramável

A popularização das redes sociais como ferramentas de negócios transformou também a relação entre médicos e pacientes. Especialistas que antes construíam reputação exclusivamente com base em currículo, indicações e resultados agora disputam espaço em timelines com vídeos, reels e fotos sorridentes no consultório.

Para muitos profissionais, é uma estratégia legítima de divulgação, aproximando o público de forma leve e informal. Porém, quando envolve o paciente diretamente, a questão ganha camadas mais delicadas — que passam por ética, privacidade e até consentimento emocional.

Pressão velada: quando o “sim” não é tão voluntário assim

Mesmo quando a autorização é solicitada, a dinâmica pode ser desequilibrada. Há um senso de obrigação social, principalmente se o médico for uma figura conhecida ou querida. Muitos pacientes relatam receio de parecer ingratos, frios ou desrespeitosos ao negar a foto.

“Parece uma coisa pequena, mas é uma linha tênue. Você está em um momento de vulnerabilidade, confiando na pessoa que cuida da sua saúde, e ela te pede algo que você talvez não queira dar. Como recusar sem parecer mal-educado?”, relata uma paciente que preferiu não se identificar.

Quando faz sentido?

Em especialidades como estética, harmonização facial, cirurgia plástica e ortodontia, o compartilhamento de imagens do antes e depois é comum — e, muitas vezes, até esperado. Mas mesmo nesses casos, o respeito à vontade do paciente precisa vir antes da estética do feed.

Para profissionais, a chave está na transparência, no respeito à decisão do paciente e em uma comunicação ética. Nada de constrangimento ou insistência. E, idealmente, que o convite para aparecer nas redes venha de forma neutra, sem expor o paciente a uma situação desconfortável.

Desconectar também é cuidar

Vivemos em um tempo em que tudo vira conteúdo. Mas quando se trata de saúde, talvez o maior luxo — e o maior respeito — seja preservar o que deveria continuar privado.

Na dúvida, médicos podem (e devem) usar sua própria imagem, suas palavras e conhecimento para educar, engajar e inspirar. O paciente não precisa — e não deve — ser usado como ferramenta de validação online.

 

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia