Símbolo da cultura e da biodiversidade sergipana, a mangaba também representa a resistência de comunidades extrativistas que lutam para preservar seu território em Aracaju. Na zona de expansão da capital, onde estão algumas das últimas áreas de mangabeiras, catadoras enfrentam a pressão do mercado imobiliário para manter uma atividade que sustenta dezenas de famílias há mais de oito décadas.
Organizadas na Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper, as extrativistas atuam na preservação da tradição e na defesa da Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá, criada para proteger o modo de vida da comunidade. Em 2025, a entidade recebeu o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente, em reconhecimento ao trabalho de conservação e fortalecimento da produção local.
“Estamos rodeados por uma selva de pedra. Eu me sinto guardando um tesouro da humanidade”, afirma a presidente da associação, Maria Eliene Santos.
Além da coleta da mangaba, a comunidade investe em projetos de beneficiamento do fruto e turismo de base comunitária, buscando fortalecer a economia local enquanto resiste ao avanço da urbanização sobre um dos últimos remanescentes da espécie na capital sergipana.