Dia do Professor: educadores de Salvador transformam a paixão pela literatura em aprendizado

Dia do Professor: educadores de Salvador transformam a paixão pela literatura em aprendizado

Redação Alô Alô Bahia

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Otávio Santos/SECOM PMS

Publicado em 15/10/2026 às 11:46

A paixão pela literatura e o compromisso com a educação se encontram na trajetória de Taísa Ferreira e Genivaldo Santos, professores da rede municipal de Salvador que transformaram a escrita em uma extensão do trabalho em sala de aula. Com livros publicados, os dois educadores desenvolvem projetos literários, participam de eventos e promovem experiências que aproximam os estudantes do universo dos livros. Neste Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, eles compartilham como a docência influencia suas produções e amplia as possibilidades de aprendizagem.

Aos 42 anos, Taísa é professora da rede municipal há 11 anos. Embora o interesse pela escrita tenha surgido na infância, em uma família com forte ligação com a leitura e a produção de textos, foi durante o exercício da docência que ela publicou seu primeiro livro, em um projeto desenvolvido com os alunos.

“Durante o trabalho como professora, com a responsabilidade de fomentar nos estudantes o gosto pela leitura e uma compreensão cada vez melhor do processo de escrita, eu conversei com uma amiga e ela me contou sobre o projeto Estrela Literária, que possibilita desenvolver com os alunos a escrita de um livro, a partir de uma parceria com a empresa. E o meu primeiro livro foi feito a partir desse projeto. Eu tive duas turmas na rede municipal que produziram livros e agora estou na terceira. Então, a escrita começa na minha infância, mas ela se entrelaça ao meu ‘ser professora’. Emerge esse lado escritora a partir da minha relação com a docência, a partir do momento em que eu fiz esse projeto com os meus alunos”, conta.

Atualmente, Taísa tem quatro trabalhos publicados. Além de “Construindo Estrelas Literárias”, resultado da parceria com os estudantes, ela assina um conto na coletânea infantojuvenil “Contos para Erê”, que reúne escritores e escritoras negras de diferentes partes do Brasil, e o livro “As Memórias de Ojemba”. Seu trabalho mais recente é o conto “Mashama e o Festival de Samba Junino”, publicado neste ano na coletânea Contos para Ibejada, a segunda da Liga do Dendê.

A participação no coletivo abriu caminho para novas experiências em festas literárias, eventos, programas no YouTube e atividades fora de Salvador. Atualmente, Taísa leciona nas turmas Se Liga e Acelera do período diurno da Escola Municipal Martagão Gesteira e atua como curadora literária da Festa Arte e Identidade, na qual articula a participação de outros professores da rede interessados em apresentar seus livros.

“Eu tenho tentado fazer esse trabalho que vai além de falar sobre o meu livro, mas também de buscar outras pessoas que são professores-escritores para falar sobre o trabalho que desenvolvem. Formamos, inclusive, um coletivo de professores e professoras escritores e escritoras da rede municipal de Salvador. Tem sido muito prazeroso, porque a cada ano temos um espaço para que os professores da rede municipal falem sobre os seus livros”, afirma.

A literatura também ocupa um lugar central na trajetória de Genivaldo Santos, de 51 anos. Professor premiado em Minas Gerais em 2024, ele vê a educação como parte essencial de sua vida. “A sala de aula é o melhor lugar do mundo”, afirma. Assim como Taísa, ele integra o Coletivo Baiano de Escritores(as) e Pesquisadores(as) da Liga do Dendê.

Para Genivaldo, a convivência com os estudantes alimenta sua produção literária e permite transformar experiências cotidianas em histórias. “Aqui eu aprendo com os alunos, compartilhamos histórias, sentimentos, desejos, necessidades e vontades. Quando escrevo, não parto de uma ficção para a realidade, e sim de uma realidade vivida e experimentada. Escrevo vários estilos, porque temos que quebrar paradigmas. A escrita é livre e permite dizer aquilo que sentimos e também permite por alguns instantes viver o mundo que sonhamos”.

O escritor tem diversos livros publicados. Seu primeiro título, “Sofia e a Esfinge”, foi escrito em 2003 e publicado em 2022, após a pandemia. Em 2024, a obra “Sofia e o Relojoeiro” conquistou o segundo lugar na categoria Escritores Independentes da 19ª Flipoços. Seu trabalho mais recente é uma adaptação de “Sofia e a Esfinge” para a literatura de cordel.

Além de participar de atividades literárias, Genivaldo leva suas obras para a sala de aula como ferramentas de aprendizagem. Entre os títulos trabalhados estão “Sofia e a Esfinge”, que acompanha a jornada de uma menina em busca do conhecimento, e “O Machado de Xangô: Guerras e Glórias na Terra dos Orixás”. A segunda obra narra a batalha de Xangô, orixá da justiça e do trovão, contra Kianze, o Devastador, que ameaça o equilíbrio entre os mundos. A história também resgata a tradição iorubá e aborda temas como poder, honra, responsabilidade, espiritualidade e resistência da identidade afro-brasileira.

Genivaldo leciona para turmas do 1º ao 5º ano na Escola Municipal Dois de Julho, em Cajazeiras, e participa de encontros literários em outras unidades de ensino. Em 2025, foi homenageado na Escola Municipal de Bananeiras, em Ilha de Maré, experiência que reforçou sua relação com a comunidade escolar.

“O que mais me deixa feliz na minha profissão é a oportunidade de construir um ecossistema de aprendizagem. O ofício de professor ocorreu por um equívoco na minha matrícula do Ensino Médio, eu pretendia cursar Administração. Na ausência de vaga, acabei me matriculando no magistério. Nunca mais quis fazer outra coisa. Eu sou professor porque acredito no poder transformador da educação”, conclui.

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