Aos 66 anos, Tony Bellotto desabafa sobre tratamento contra câncer: ‘Não digo que estou curado”

Aos 66 anos, Tony Bellotto desabafa sobre tratamento contra câncer: ‘Não digo que estou curado”

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reprodução

Publicado em 08/10/2026 às 13:29

Aos 66 anos, Tony Bellotto abriu o coração sobre o tratamento do câncer de pâncreas e compartilhou como tem enfrentado a doença. Em entrevista ao programa Que Dia, apresentado pelo jornalista Matheus Leitão, o guitarrista dos Titãs afirmou que receber o diagnóstico foi um momento difícil, mas também fez surgir uma força que ele próprio desconhecia.

“Foi muito difícil receber o diagnóstico de um câncer difícil de tratar, com uma taxa de mortalidade muito grande, o câncer de pâncreas. Mas, quando soube, brotou uma força interna que eu nem sabia que tinha”, afirmou.

Ateu, ele explicou que procurou encarar a situação de forma prática e disse que não atribui a doença a nenhuma razão além do próprio fato de estar vivo.

“Sou ateu. Não considero que meu câncer seja fruto de nada além do fato de estar vivo e de que isso acontece com pessoas vivas. Pensei: ‘O que posso fazer? Minha ideia é continuar vivo, e vivo de verdade, fazendo as coisas de que gosto, tocando, trabalhando o máximo possível’”, contou.

Segundo o músico, os médicos identificaram que o tumor ainda poderia ser retirado por meio de cirurgia. Ele passou pelo procedimento e enfrentou um período difícil de recuperação.

Atualmente, Bellotto afirma que conseguiu retomar a rotina e voltou aos palcos, mas continua em acompanhamento médico.

“Voltei às minhas funções normais, mas continuo em acompanhamento, porque é um câncer muito insidioso, traiçoeiro. Não digo que estou curado, que me livrei dele. Estou convivendo com esse câncer”, declarou.

O guitarrista também explicou por que prefere não dizer que está “lutando contra o câncer”. Para ele, a expressão não combina com sua maneira de enxergar a vida.

“Até brinquei numa entrevista que implico com essa expressão de que alguém ‘luta contra o câncer’. Sou pacifista: não luto contra meu câncer, negocio uma convivência pacífica. Isso já vai ser bastante”, afirmou.

Bellotto contou ainda que mantém uma postura otimista diante do tratamento. Ele atribui parte dessa forma de encarar as dificuldades aos estudos de zen-budismo que fez na adolescência.

“Não tenho religião, não acredito em Deus, mas sinto no zen uma sabedoria humana que podemos empregar na vida prática: lidar sem tanta dramaticidade com os problemas, viver um dia de cada vez. Enquanto está legal, vamos em frente”, disse.

O músico também revelou que perdeu muitos quilos após a cirurgia e atualmente tenta recuperar o peso. Apesar disso, afirma estar bem e voltou a trabalhar normalmente.

“Estou muito bem, fazendo shows, escrevendo. Tento engordar, porque perdi muitos quilos na cirurgia. Estou feliz de levar minha vida, convivendo com essa doença difícil sem deixar que vire uma tristeza ou uma preocupação exagerada”, afirmou.

Bellotto também destacou o apoio que recebeu de Branco Mello, seu companheiro de Titãs, que enfrentou um câncer de garganta e passou por cirurgias e tratamentos. Segundo ele, os dois costumam brincar sobre as mudanças provocadas pela doença.

“Tive muita ajuda do Branco, que passou por um câncer de garganta muito difícil, fez cirurgias e tratamentos e está muito bem no palco, inclusive cantando. Brincamos que conseguiu a voz rouca que sempre quis ter, aquela voz de Max Cavalera.”

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