Fernanda Montenegro se aproxima dos 97 anos e ganha documentário dirigido pelo enteado de Fernanda Torres

Fernanda Montenegro se aproxima dos 97 anos e ganha documentário dirigido pelo enteado de Fernanda Torres

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Fernando Young/Divulgação

Publicado em 07/10/2026 às 09:06

Às vésperas de completar 97 anos, no próximo dia 16, Fernanda Montenegro ganha um documentário dedicado à sua trajetória de mais de oito décadas nas artes. Intitulado “Fernanda”, o longa dirigido por Pedro Waddington, enteado da filha Fernanda Torres, tem première de gala nesta quarta-feira (7), no Cine Odeon, durante o Festival do Rio. Depois da passagem pelo festival, o filme será lançado ainda este ano no streaming Universal+.

Com produção da Conspiração em parceria com a NBCUniversal, o documentário reúne imagens de arquivo, bastidores, entrevistas antigas e áudios de WhatsApp para construir um retrato íntimo da artista, sem seguir o formato tradicional de uma biografia.

“Este documentário é um fato novo nessa minha vida de atriz já chegando aos 100 anos de idade. Um jovem cineasta se interessou pelos meus 84 anos de presença nos nossos palcos, na nossa televisão, no nosso cinema”, conta Fernanda Montenegro ao jornal O Globo. “A organização desse filme é o resultado de a minha vida profissional, como atriz, sensibilizar a criatividade de um jovem cineasta”, reforçou ao repórter Lucas Salgado.

A ideia surgiu durante as filmagens de “Vitória”, em 2024. Comentou-se que alguém deveria registrar aquela mulher de 94 anos trabalhando com tamanha vitalidade. Andrucha Waddington, pai de Pedro e diretor do longa, então o chamou para começar as gravações. “Meu pai me mandou uma mensagem: ‘Pega uma câmera e vem’. Foi um começo muito artesanal, começamos a captar a Fernanda ainda sem ela saber que estávamos querendo fazer um documentário sobre ela“, diz o cineasta.

A proposta, desde o início, era fugir de um filme biográfico convencional e acompanhar uma Fernanda ainda em plena atividade. “Pensei no projeto como um filme sem entrevistas de outras pessoas, tentando captar o máximo da personalidade e do processo dela. A ideia sempre foi trazer essa Fernanda ainda muito viva e vívida. A energia dela é uma coisa surreal, com 96 anos tem uma energia muito maior que muito jovem. Ela não para, acorda pensando no que fazer”, revela.

Embora conhecesse Fernanda Montenegro havia quase 30 anos, Pedro conta que os dois se aproximaram de fato durante a realização do documentário. A relação familiar existe por meio de Fernanda Torres, mãe do diretor e filha da atriz, mas o convívio entre os dois era mais distante. “Ao longo da vida, tive contato com Fernanda por ela ser mãe da minha madrasta, a Nanda. Eu realmente não tinha muito contato. Acho que tinha um respeito excessivo, talvez um medo de me aproximar. Este filme, definitivamente, é o que nos ligou de alguma forma e hoje me sinto bastante próximo”, afirma Pedro.

A própria Fernanda Montenegro também tem uma longa história de trabalhos compartilhados com familiares, incluindo o marido, Fernando Torres, os filhos Fernanda Torres e Cláudio Torres, o genro Andrucha Waddington e o neto Joaquim Torres Waddington. “Sempre trabalhei com a ‘minha tribo sanguínea’ como também com a minha ‘família de opção’. O que nos une é a vocação. E digo, numa vida nada é mais misterioso, sagrado e inarredável do que a vocação“, afirma a atriz.

Pedro conta que chegou a ficar receoso antes de apresentar o resultado final à atriz, mas recebeu dela liberdade para conduzir o projeto como quisesse. “Ela fez pouquíssimos comentários, o filme foi muito bem aceito por ela. Desde o início, ela falou: ‘Este filme é seu, faça como preferir, porque eu não posso dizer como posso ser contada'”, lembra.

O diretor diz ainda que buscou revelar sua personalidade, incluindo o humor e a forma como Fernanda encara a passagem do tempo. “Fernanda tem um certo modo de falar, ela é engraçada, ela faz piadas brincando com a finitude, com a condição de ser velha, tudo isso a gente teve uma preocupação de trazer. Eu quis trazer a personalidade dela, então nos debruçamos muito nesse assunto da morbidez, da proximidade da morte”, afirma Pedro.

Ao assistir ao documentário, Fernanda Montenegro aprovou a proposta de apresentar a velhice não como uma limitação, mas como parte de uma fase criativa e ativa de sua vida. “Fiquei feliz. Não é comum, no nosso tempo, mais ainda no Brasil, um cineasta achar nesta temática, a velhice, um motivo para um documentário feliz”, diz a atriz.

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