Salvador destinou R$ 816 milhões a investimentos entre janeiro e agosto de 2026, valor correspondente a 9,73% da despesa executada no período. Com esse resultado, a capital baiana aparece na terceira posição entre as capitais brasileiras com maior volume de investimentos, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.
Os números fazem parte do Relatório de Gestão Fiscal referente ao segundo quadrimestre de 2026, apresentado nesta quinta-feira (24) pela secretária municipal da Fazenda, Giovanna Victer. A prestação de contas ocorreu durante audiência pública no Auditório Bahia Center, no Centro, em reunião da Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização da Câmara Municipal de Salvador.
Entre as áreas que receberam recursos estão Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura, Saneamento e Transporte. Na mobilidade, a despesa executada teve aumento de 115,1%, passando de R$ 122,16 milhões para R$ 262,77 milhões. O período também foi marcado pelo início da renovação da frota de ônibus da cidade. No sábado (19), a Prefeitura começou a entregar cerca de 700 novos coletivos, todos equipados com ar-condicionado e tecnologia de baixa emissão de poluentes. Na primeira etapa, foram 326 veículos destinados às empresas Plataforma e OTTrans, integrantes do STCO.
Arrecadação própria cresce
A expansão dos investimentos ocorreu paralelamente ao aumento da receita tributária municipal. De janeiro a agosto, Salvador arrecadou R$ 3,57 bilhões em tributos, alta de 13,2% na comparação com o mesmo período de 2025. Desse total, R$ 1,55 bilhão veio do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).
O crescimento da arrecadação própria ajudou a manter a capacidade de investimento do município diante da redução de algumas transferências recebidas dos governos Federal e Estadual. No período, os repasses do Fundeb tiveram queda real de 2,3%, enquanto as transferências do SUS recuaram 2,6%. A cota-parte do ICMS transferida pelo Estado apresentou redução real de 4,3%.
Mesmo com as quedas nas transferências, os gastos municipais aumentaram em áreas como Saúde e Educação. A Saúde recebeu R$ 2,10 bilhões até agosto, alta de 9,5%, enquanto a Educação teve R$ 1,76 bilhão em recursos, crescimento de 10%.
“A capacidade de gerar receita própria e manter uma gestão fiscal equilibrada é fundamental para que Salvador consiga sustentar os serviços públicos e, ao mesmo tempo, avançar nos investimentos. Mesmo diante da redução de algumas transferências, o município tem ampliado a aplicação de recursos próprios em áreas essenciais e preservado sua capacidade de realizar investimentos”, afirmou Giovanna Victer.
Município registra superávit corrente
O relatório também apresentou um superávit corrente de R$ 1,3 bilhão no acumulado até agosto. O resultado corresponde à diferença positiva entre as receitas e as despesas correntes do município.
“Salvador mantém um equilíbrio importante entre receitas e despesas. Esse desempenho amplia a capacidade do município de destinar recursos próprios para novas ações e obras, além de fortalecer a busca por financiamentos, sempre com responsabilidade e equilíbrio fiscal”, declarou a secretária.
A apresentação do Relatório de Gestão Fiscal integra o calendário oficial de prestação de contas de Salvador ao Legislativo e atende às exigências de transparência previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).