STF visita terreiro em Salvador e ouve relatos de racismo religioso e ataques a comunidades

STF visita terreiro em Salvador e ouve relatos de racismo religioso e ataques a comunidades

Redação Alô Alô Bahia

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Danielle Magalhães/STF

Publicado em 21/09/2026 às 09:52

Um encontro dentro de um terreiro em Salvador colocou no centro da conversa as dificuldades enfrentadas pelas comunidades de matriz africana. A Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF) esteve no Terreiro Olufanjá, no bairro Beiru/Tancredo Neves, para ouvir lideranças sobre episódios de racismo religioso, ataques e os desafios para manter vivos esses espaços de ancestralidade.

A visita fez parte do Programa de Escuta Territorializada na Bahia. Em vez de discutir as demandas apenas nos gabinetes, representantes do Supremo foram até o território para conversar diretamente com quem vivencia os problemas.

Entre os relatos apresentados estavam depredações de símbolos religiosos, ofensas relacionadas às vestimentas e práticas das religiões de matriz africana e outras situações de discriminação. As lideranças também chamaram atenção para a pressão provocada pelo crescimento das cidades e pela especulação imobiliária sobre áreas ocupadas por terreiros.

A regularização das terras apareceu como outra preocupação. Para as comunidades, preservar esses espaços significa também proteger tradições, memórias, ancestralidade e modos de vida.

Racismo religioso também aparece nas escolas

A educação foi outro ponto levantado durante a conversa. As lideranças relataram situações de racismo religioso no ambiente escolar e defenderam que professores e profissionais que trabalham com atendimento ao público tenham mais contato com a história e a cultura afro-brasileira.

Um levantamento da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro Saúde) citado durante o encontro aponta que 78,4% dos entrevistados disseram que pessoas de suas comunidades já sofreram violência motivada por racismo religioso.

É importantíssimo a gente poder, nesses momentos, falar das nossas demandas, das nossas queixas, daquilo que a gente precisa para continuar existindo”, afirmou Mameto Lúcia Kamurici, do Terreiro São Jorge Filha da Gomela.

Para a juíza-ouvidora do STF, Flavia da Costa Viana, conhecer os territórios de perto permite compreender melhor como questões de pertencimento, ancestralidade e modos de vida estão relacionadas às demandas apresentadas pelas comunidades.

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