Um clássico russo publicado há quase 140 anos ganhou novos leitores depois de uma indicação do jogador Gustavo Scarpa. A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, chegou ao topo das vendas no Brasil após o meia do Atlético-MG falar sobre a obra, que acompanha um homem bem-sucedido obrigado a rever a própria vida quando descobre que está gravemente doente.
Ivan Ilitch é um juiz respeitado, com boa posição profissional e uma rotina confortável. Ele vive preocupado com carreira, dinheiro e reconhecimento social até começar a sentir dores que pioram com o tempo. Quando percebe que pode morrer, aquilo que parecia importante passa a perder valor.
A partir daí, o livro acompanha principalmente as dúvidas e os medos do personagem. Ivan começa a se perguntar se fez as escolhas certas e percebe que muitas de suas relações eram mais superficiais do que imaginava. Também se sente sozinho porque as pessoas ao redor têm dificuldade para falar abertamente sobre sua doença e sobre a possibilidade de sua morte.
Apesar do tema pesado, a obra é curta e tem uma história relativamente simples. Tolstói usa a experiência de Ivan para falar sobre questões fáceis de reconhecer mesmo hoje, como a busca por status, a preocupação com a opinião dos outros e a dificuldade de perceber o que realmente importa antes que seja tarde demais.
O autor, Liev Tolstói, nasceu na Rússia em 1828 e se tornou um dos escritores mais conhecidos da literatura mundial. Ele também escreveu Guerra e Paz e Anna Kariênina, dois dos romances mais famosos do século XIX. Tolstói veio de uma família aristocrática, serviu no Exército e alcançou grande sucesso ainda em vida.
Já consagrado, o escritor passou por uma forte crise pessoal e começou a questionar riqueza, religião, desigualdade e o próprio sentido da existência. Essa fase influenciou diretamente seus textos posteriores e ajuda a explicar por que a morte, a maneira de viver e as relações humanas ocupam tanto espaço na história de Ivan Ilitch.
Tolstói morreu em 1910, aos 82 anos, mas seus livros continuam sendo publicados em todo o mundo. A repercussão provocada por Scarpa colocou novamente uma de suas obras mais curtas diante de um público amplo, inclusive leitores que nunca haviam tido contato com a literatura russa.