A baiana Rosilene de Santana Souza percorreu um longo caminho até realizar o sonho de infância de se tornar juíza. Criada na comunidade rural de Pajeú, no sertão da Bahia, ela deixou o lugar onde vivia aos 12 anos em busca de melhores condições para estudar e, anos depois, conquistou o primeiro lugar em um concurso para a magistratura.
Ao lado da irmã Regina, então com 13 anos, Rosilene deixou a comunidade e seguiu para Oliveira dos Brejinhos, onde as duas passaram a morar sozinhas. Sem recursos suficientes para se manter, enfrentaram dificuldades até mesmo para conseguir se alimentar.
“Ao ir para cidade, eu, com 12 anos, e minha irmã, com 13 anos, passamos fome. Foi preciso pedir restos de ossos no açougue municipal para complementar nossa alimentação, porque a gente fazia nossa única refeição na escola, e as demais refeições a gente não tinha”, relatou a magistrada.
Para estudar, Rosilene conciliava a rotina escolar com pequenos trabalhos como doméstica. Em meio às dificuldades financeiras, chegou a dormir no chão e, junto com a irmã, precisou compartilhar roupas e calçados.
“Minha irmã estudava à tarde e eu estudava pela manhã para dividir com ela o mesmo calçado”, lembrou.

Baiana que trabalhou como doméstica e passou fome se torna juíza após conquistar 1º lugar em concurso
Do trabalho doméstico à faculdade de Direito
Aos 19 anos, Rosilene concluiu o ensino médio por meio de supletivo, em Colatina, no Espírito Santo. Sem condições financeiras para ingressar naquele momento em uma faculdade de Direito, buscou uma formação que lhe permitisse aumentar a renda.
Ela iniciou um curso técnico em Edificações no Instituto Federal e conseguiu mudar de emprego. Mais tarde, obteve uma bolsa de 50% para cursar Direito e retomou o projeto de se tornar magistrada.
Ainda no 9º semestre da graduação, foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Depois de formada, passou a advogar e iniciou a preparação para concursos da magistratura.
“Foram 14 concursos realizados. Nunca desisti, estudava cada vez mais até ser aprovada”, contou.
A persistência terminou com a aprovação em primeiro lugar no concurso para ingresso na magistratura do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Rosilene tomou posse como juíza substituta em dezembro de 2022 — aqui há uma correção importante no texto que você recebeu, que diz 2023. O próprio TJAC registra a posse em 8 de dezembro de 2022.
Atualmente, Rosilene segue na magistratura acreana; o TJAC a relaciona como juíza titular em Cruzeiro do Sul.