Alvinho, menino superdotado que vive em abrigo, chega a Bahia para encontro de pequenos gênios

Alvinho, menino superdotado que vive em abrigo, chega a Bahia para encontro de pequenos gênios

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Divulgação

Publicado em 07/09/2026 às 16:02

Adriano Álvaro Melo, conhecido como Alvinho, deixou por alguns dias o abrigo onde vive com a mãe, no Rio de Janeiro, para participar de uma programação com outras crianças e adolescentes com altas habilidades na Bahia. Aos 10 anos, o menino superdotado foi convidado pela Mensa Brasil para o AGzinho 2026, encontro nacional que termina nesta segunda-feira (7) e reúne jovens de diferentes partes do país.

A viagem foi custeada pela própria entidade, que arcou com passagens, hospedagem e alimentação. A programação começou no sábado (5) e acontece entre Salvador e Lauro de Freitas, com oficinas, desafios cognitivos, experiências de ciência e tecnologia, palestras, atividades culturais e momentos de convivência. O encontro reúne associados da Mensa Brasil de 2 anos e meio a 17 anos, além de familiares e convidados. Alvinho também foi convidado para participar do relançamento de seu livro durante o evento.

O convite aconteceu após a história do garoto ganhar repercussão nacional. Apesar de ter desenvolvido habilidades precocemente e acumulado experiências incomuns para sua idade, Alvinho e a mãe vivem atualmente em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Desde o início deste ano, os dois passaram por diferentes unidades de acolhimento público depois de perderem a moradia e enfrentarem dificuldades financeiras e familiares. A situação também interrompeu os estudos do menino, que havia conseguido uma bolsa integral em uma escola particular de Cabo Frio, na Região dos Lagos, mas precisou deixar a cidade quando a família voltou ao Rio de Janeiro. Agora, a mãe tenta reorganizar a vida para que ele possa retomar os estudos.

Do aprendizado na pandemia à criação de um jogo

O interesse de Alvinho pelo aprendizado começou ainda na primeira infância. Aos 4 anos, durante a pandemia, ele aprendeu a ler e escrever com o auxílio do GraphoGame, aplicativo de alfabetização do Ministério da Educação. Depois, passou por testes que confirmaram as altas habilidades. O menino também aprendeu inglês sozinho e, posteriormente, participou de um curso on-line de programação oferecido pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Aos 7 anos, transformou os conhecimentos adquiridos em um jogo chamado “Super Alvinho”, desenvolvido totalmente em inglês. Na história, um cientista cria robôs agrícolas e busca soluções para melhorar a produção e a distribuição de alimentos. Programação, porém, é apenas uma das áreas de interesse do garoto, que também se destacou no xadrez e participou de atividades de robótica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A trajetória de Alvinho inclui ainda experiências acadêmicas e reconhecimentos públicos. Em 2023, ele participou como palestrante de um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense (UFF). No ano seguinte, recebeu a Medalha Pedro Ernesto por sua trajetória na educação. Aos 8 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber a maior honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Mensa Brasil retoma contato com Alvinho

A repercussão da situação da família também gerou uma corrente de solidariedade. Alvinho recebeu doações, ofertas de bolsas em escolas particulares e propostas de apoio para continuar desenvolvendo suas habilidades. A Mensa Brasil entrou em contato com a família. O garoto já havia sido associado à organização, mas estava com o cadastro inativo. A entidade agora avalia maneiras de reinseri-lo na comunidade e oferecer suporte.

O AGzinho 2026 foi o primeiro passo. Durante o encontro, Alvinho tem contato com oficinas de criatividade, física e robótica, além de atividades de astronomia, cubo mágico e programação cultural. A proposta é proporcionar aos jovens superdotados a oportunidade de conviver com outras crianças e adolescentes que tenham interesses e experiências semelhantes.

Para Alvinho, a passagem pela Bahia acontece enquanto a mãe busca reorganizar a vida da família e encontrar condições para que ele volte aos estudos.

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