Angel Ferreira decidiu deixar parte da rotina nas grandes cidades para viver temporadas em um ônibus transformado em moradia na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Conhecido por trabalhos em novelas como Babilônia e O Outro Lado do Paraíso, o ator explicou à Quem como é a estrutura do veículo e afirmou que a escolha está ligada à maneira como entende a vida e sua atuação artística.
A decisão ganhou repercussão depois que circulou nas redes sociais a informação de que Angel viveria em um ônibus sem energia elétrica e saneamento. O ator, porém, afirmou que essa descrição não corresponde à realidade. “Algumas coisas se distorcem nesse caminho. Não moro sem energia, eu tenho placa solar e tenho conforto ali. Também tenho saneamento. Não é um saneamento ligado à rede municipal, mas eu tenho um biodigestor ligado a uma fossa de bananeira”, explicou.
Angel também fez questão de destacar que não considera a experiência uma forma de privação. “Tenho uma vida confortável. Eu quero o melhor da vida e não quero viver uma vida de privação ou escassez. Está tudo lindo. Não estou perdido no meio do mato”, afirmou.
Para o ator, a própria maneira de morar faz parte de sua expressão artística e de valores relacionados à sustentabilidade. “Minha vida também é um trabalho. Minha vida também é uma expressão da minha arte. Morar no meio do mato é parte daquilo que eu acredito que é fundamental para um artista hoje em dia. Morar num ônibus é pegar uma sucata e reciclá-la. Isso é um ato político, isso é uma afirmação daquilo que eu sou e da arte que eu faço”, disse.
A permanência na Chapada dos Veadeiros não significa, no entanto, que Angel tenha interrompido a carreira ou deixado de circular. Ele continua trabalhando em cinema, teatro, televisão e outros projetos. O ator contou que esteve em Gramado para lançar um filme e relatou a reação de pessoas que o reconheceram durante a viagem. “Eu fui a Gramado lançar um filme e as pessoas que me encontravam falavam: ‘Você não é o menino que mora no meio do mato?’. Eu sou um artista. Posso estar em Berlim, posso estar na Ásia, posso estar em São Paulo, no Rio de Janeiro, fazer uma novela, uma série, um filme, voltar para lá [Chapada] e cuidar da minha casa de cultura. Eu circulo. Para mim, isso é parte do estar no mundo”, afirmou.
Na região, Angel também mantém a Casa Candeia de Cultura, projeto criado para promover atividades culturais e ampliar o acesso ao teatro no interior de Goiás. O espaço recebe espetáculos e shows e oferece aulas de teatro para jovens da comunidade. “Estou contribuindo com a cultura que já existe localmente, não estou inventando a roda, mas lá é interior do interior, do interior, então o acesso é mais difícil”, explicou.
A escolha pela Chapada também está relacionada ao ritmo encontrado longe dos grandes centros. Segundo Angel, a possibilidade de conviver com a escuridão da noite e os sons da natureza é parte importante da experiência. “Porque quando eu tô lá, eu posso me relacionar com breu. Na cidade, não tem breu, ela nunca desliga. Também posso me relacionar com o barulho dos animais na mata e isso regula a gente”, afirmou.