De 5 a 8 de novembro, Cachoeira, no Recôncavo Baiano, recebe a 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA). A programação, gratuita e distribuída por diferentes espaços da cidade histórica, foi apresentada oficialmente na última quarta-feira (2), durante o lançamento da edição 2026, realizado na Fundação Pedro Calmon, em Salvador.
Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, a FLICA 2026 propõe uma reflexão sobre os impactos da Inteligência Artificial na literatura, na arte e nos processos criativos. Em um cenário em que a tecnologia já escreve textos, gera imagens, antecipa ideias e produz conteúdos em poucos segundos, o evento pretende discutir os novos contornos da originalidade e da criação humana.
Considerada uma das principais festas literárias do país e a maior do gênero no Norte-Nordeste, a FLICA reunirá escritores, artistas e leitores em uma programação com debates, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, saraus, contações de histórias, apresentações artísticas e teatrais, shows, manifestações culturais e exposições.
A Inteligência Artificial será um dos principais eixos da programação, especialmente na Tenda Paraguaçu, instalada às margens do rio que dá nome ao espaço. Questões como originalidade, autenticidade, ética, direitos autorais, racismo algorítmico e fake news estarão entre os temas discutidos.
Entre os convidados estão Larissa Luz, cantora, compositora, atriz e comunicadora baiana, e Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista autor de 13 livros, entre eles “Escrever é humano – Como dar vida à sua escrita em tempo de robôs”, lançado em 2025.
“Como nossa vida tem a mediação tecnológica da IA como referência de produção e interação social, vimos que seria interessante abordar esse tema para entendermos sua influência na escrita criativa, no mercado editorial, nas práticas de leitura, na recepção crítica e na pesquisa de literatura. A FLICA inova e investe nessa discussão com mesas específicas, como racismo algorítmico e IA generativa na criação literária”, comenta Marielson Carvalho, curador da Tenda Paraguaçu.
A programação também terá espaços dedicados ao público infantil e jovem. Na Fliquinha, realizada na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o conceito será “Original como a infâncIA!”, com atividades voltadas à imaginação, ao brincar, à ancestralidade e à criatividade, além de discussões sobre a presença da tecnologia na infância.

A curadoria da 14ª edição é de Marielson Carvalho, Emília Nuñez, Duca Clara, Deco Lipe e Linnoy Nonato, com a jornalista Vanessa Dantas como embaixadora
“Na Fliquinha 2026, a gente vai ter muita IA de infância autêntica, infância ancestral, infância autoral, mas sem negar a importância de pensar como as novas tecnologias fazem parte dessa nova infância. A gente vai falar sobre a importância da leitura, do brincar e também a importância da IA, da tecnologia na construção dessa infância que está acontecendo fora e dentro das telas”, adianta Emília Nuñez, curadora da Fliquinha.
Já a Geração FLICA, no Cine Theatro Cachoeirano, será voltada ao público jovem e abordará autoria, redes sociais e os dilemas provocados pela Inteligência Artificial para quem escreve, desenha e produz conteúdo.
“Pensar a Inteligência Artificial é ir além do uso das ferramentas que estão sendo desenvolvidas. É entender como essas tecnologias chegam para quem produz literatura, arte e roteiros e como escritores, artistas e outras personalidades estão se adaptando a esse novo cenário. A programação foi pensada a partir dessas questões, trazendo diálogos sobre o presente, o futuro, autoria e os limites entre o que é criação e o que é cópia. O público pode esperar provocações interessantes, vai ser curioso observar as opiniões de quem a gente consome e acompanha dentro da literatura e da arte”, observa Deco Lipe, curador da Geração FLICA.
A programação artística completa o evento com atrações como Jau e Sued Nunes, além de manifestações que aproximam tradição e contemporaneidade. Para o curador artístico Linnoy Nonato, a experiência presencial é justamente um dos elementos que reforçam a singularidade da criação humana.
“O tema desta edição nos lembra que a IA veio para somar, mas exige o reconhecimento de que a verdadeira originalidade não nasce de fórmulas prontas de computador. A essência do que é original está naquilo que máquina nenhuma consegue replicar: o erro que se transforma em arte, o improviso do momento, o suor na pele e a força viva da nossa ancestralidade”, ressalta.
Outra novidade da FLICA 2026 é o edital “Vozes da Bahia”, realizado em parceria com a Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). A iniciativa selecionará editoras, escritores, ilustradores, quadrinistas, cordelistas, organizadores de obras e roteiristas para integrar a Casa dos Autores e das Autoras Baianas, com reserva de vagas para pessoas negras, indígenas e com deficiência. As inscrições serão anunciadas no Instagram oficial da FLICA.
Informações detalhadas serão divulgadas aos poucos no @flicaoficial.