A Mensa Brasil estuda viabilizar a ida de Adriano Álvaro Melo, o Alvinho, de 10 anos, à Bahia para participar do encontro nacional de crianças e adolescentes superdotados. O menino, que vive atualmente em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte do Rio, poderá participar de três dias de atividades intelectuais, culturais e de integração em Salvador e Lauro de Freitas.
Priscila de Melo, mãe de Alvinho, foi procurada por Julio Campos Filho, presidente da Mensa Brasil, que também avalia que tipo de suporte a entidade poderá oferecer ao garoto. A organização é conhecida por reunir pessoas com altas habilidades e alto QI e desenvolve projetos relacionados à identificação de pessoas superdotadas e ao desenvolvimento de políticas públicas nas áreas de educação e saúde.
Alvinho chamou atenção por suas habilidades desde cedo. Aos 7 anos, depois de participar de um curso on-line de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, ele desenvolveu o jogo “Super Alvinho”. O menino também se destacava no xadrez e participava de uma turma de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Apesar do potencial, Alvinho e a mãe enfrentaram uma série de dificuldades. O menino completou 10 anos em abril enquanto os dois estavam em uma casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social.
A situação começou depois que a família perdeu o apartamento onde morava em Itaboraí. Separada e desempregada, Priscila ficou responsável pelo filho enquanto enfrentava uma tuberculose resistente a medicamentos e precisou retornar ao Rio para realizar tratamento na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desde o início do ano, mãe e filho passaram por três abrigos públicos.
A história de Alvinho ganhou repercussão depois de ser noticiada pelo jornal O Globo e provocou uma rede de solidariedade. Segundo a mãe, os dois já receberam mais de R$ 100 mil em doações. Além disso, instituições privadas de ensino entraram em contato oferecendo vagas para o garoto, incluindo escolas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O principal objetivo da família, porém, é voltar para Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde Alvinho estudava em uma escola particular com bolsa integral. O benefício foi obtido no início do ano, mas acabou sendo perdido quando Priscila precisou retornar ao Rio para tratar a doença.
O menino já estava adaptado à escola e sente falta dos professores e colegas. A mãe planeja retornar a Cabo Frio na próxima semana e já procurou a direção da instituição para tentar recuperar a bolsa. Caso isso não seja possível, ela afirma que as doações recebidas permitem manter os dois na cidade e pagar as mensalidades pelo menos até o fim deste ano.
Enquanto a família organiza o retorno aos estudos, a possível participação no AGzinho, encontro inspirado no Annual Gathering da Mensa, pode proporcionar a Alvinho uma oportunidade de conviver com outras crianças e adolescentes com altas habilidades. O evento é voltado a jovens associados de aproximadamente 2 anos e meio a 17 anos e busca estimular a troca de interesses, o desenvolvimento de habilidades e a criação de vínculos sociais em um ambiente de integração.