O governo dos Estados Unidos paralisou temporariamente a marcação de entrevistas para a emissão de vistos de imigrantes em consulados e embaixadas de todo o mundo, afetando diretamente os solicitantes no Brasil.
A medida, confirmada pelo Departamento de Estado na terça-feira (25), abrange exclusivamente os estrangeiros que buscam autorização para residir de forma permanente no país. Os processos para vistos de não-imigrantes, a exemplo dos destinados a viagens de turismo, seguem operando normalmente.
A justificativa oficial para a pausa no sistema é a realização de um treinamento global voltado aos servidores consulares. A intenção do governo americano é capacitar as equipes para que avaliem os candidatos de maneira mais rigorosa, focando em identificar pessoas que possam se tornar dependentes de benefícios públicos (auxílios estatais) ao se mudarem para os EUA.
O órgão, no entanto, não estipulou um prazo para a conclusão dessa capacitação e para o retorno da normalidade dos serviços.
O impacto prático já chegou aos estrangeiros. O jornal Financial Times relatou que os candidatos que já possuíam entrevistas marcadas estão recebendo e-mails comunicando o cancelamento das datas originais. Esse grupo precisará aguardar um novo aviso das autoridades para realizar o reagendamento.
Endurecimento e impasses na Justiça
A suspensão dos atendimentos consulares é mais um capítulo da ampla ofensiva migratória implementada pelo presidente Donald Trump.
Sob o argumento de reforçar a segurança interna, a gestão americana tem aplicado regras mais severas tanto para imigrantes indocumentados quanto para aqueles que tentam entrar ou permanecer no país pelos meios legais.
Na prática, a atual política da Casa Branca engloba ações como deportações, revogação de green cards e vistos, além da rejeição de pedidos com base em posicionamentos políticos, o que inclui a participação em manifestações pró-Palestina em meio ao conflito em Gaza.
A estratégia, contudo, tem sofrido reveses nos tribunais. Na semana anterior, uma decisão judicial bloqueou uma diretriz do governo que visava suspender a emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países.
Segundo o entendimento do juiz que barrou a iniciativa, o secretário de Estado, Marco Rubio, extrapolou sua autoridade legal ao tentar aplicar a sanção.