Aos 20 anos, o baiano Caio Lucena acaba de viver uma experiência que deve ficar marcada na história da robótica brasileira. Estudante de Sistemas de Informação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), ele integrou a primeira Seleção Brasileira formada para disputar uma competição de futebol de robôs humanoides e voltou da China com um título inédito.
Ao lado de estudantes e pesquisadores de instituições como USP, UFPE, CEIA-UFG e Centro Universitário FEI, Caio fez parte do Team Brazil, que conquistou o primeiro lugar na disputa entre equipes estrangeiras durante o RCAP Beijing Masters, competição extra realizada dentro da programação do World Humanoid Robot Games. Na decisão, o Brasil venceu a equipe italiana SPQR por 2 a 1.
O caminho até a conquista, no entanto, foi marcado por uma série de desafios. Em conversa com o Alô Alô Bahia, o jovem baiano contou que, nas quartas de final da competição principal, a equipe brasileira enfrentou problemas técnicos e precisou disputar praticamente toda a partida contra um time chinês com apenas dois dos seis robôs disponíveis.

Brasil foi representado por jovens de diversas instituições | Foto: @robocupbrasil
“Nas quatro de final, a gente enfrentou um time chinês. A partida acabou 6 a 4 para eles, mas a gente jogou praticamente os 30 minutos de partida só com dois robôs. Quatro deram problema lá, um problema de hardware mesmo, fugiu do nosso controle. Por algum tempo, a gente conseguiu fazer 4 a 2, mas, no final, ficou 6 a 4 para eles”, revelou Caio.
Apesar da eliminação na disputa principal, o Brasil seguiu na China para uma nova rodada de jogos entre as delegações internacionais. Dessa vez, com os robôs funcionando sem intercorrências, o resultado foi completamente diferente. “Na outra competição, sem nenhum problema com os robôs, a gente conseguiu vencer todas as equipes internacionais”, celebrou o baiano.
A conquista foi resultado de duas semanas de uma rotina intensa de trabalho, testes e ajustes. Segundo Caio, a equipe passou por jornadas que começavam pela manhã e avançavam pela madrugada, em uma corrida contra o tempo para preparar os robôs e enfrentar equipes que já tinham mais experiência com a tecnologia.

“A vitória aqui foi um sacrifício. A gente chegando 9h da manhã, saindo 10h da noite. Teve dia que a gente virou, chegou 9h e saiu 5h da manhã do outro dia. Essas duas semanas foram muito cansativas, mas valeu a pena no final. Contra as equipes internacionais, a gente ganhou, e a equipe chinesa já tinha um robô há mais tempo, teve mais tempo de treinamento e mais tempo com o robô. A gente fez tudo que deu“, disse.
A trajetória de Caio em Pequim ganha ainda mais simbolismo por colocar a Bahia entre os integrantes dessa formação inédita da seleção brasileira. Ligado ao Bahia Robotics Team (Bahia RT), grupo da Uneb dedicado ao desenvolvimento de pesquisas em robótica e inteligência artificial, o estudante foi convocado para representar o país em uma das principais competições internacionais da área.
Agora, depois dos problemas de hardware, das longas jornadas de trabalho e da derrota apertada para os chineses na competição principal, Caio e os colegas têm um motivo especial para celebrar, com o Brasil terminando a experiência na China no topo da disputa entre as equipes estrangeiras. A cerimônia de premiação do World Humanoid Robot Games encerra oficialmente a jornada da delegação brasileira nesta quarta-feira (26).