Renee Wong e April Lee se conhecem desde os 12 anos, quando estudavam juntas em uma escola de Singapura. Passavam literalmente todos os dias juntas — aulas, casa da uma da outra, igreja aos domingos. Nenhuma das duas tem irmãos, e a amizade acabou virando isso: uma relação de irmãs. Em 2024, decidiram levar esse vínculo a um novo patamar e se casaram oficialmente em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde moram atualmente. Sem romance, sem sexo, mas com casa, conta bancária e planos de futuro divididos.
“Por que a gente está reservando esse lugar tão precioso, de parceira de vida, de casamento, de cônjuge, para um parceiro romântico que nem apareceu ainda?”, questiona Renee, hoje com 29 anos, em entrevista à BBC News Brasil.
A virada aconteceu durante a pandemia. Separadas por fusos horários (Renee havia ido para Los Angeles cursar faculdade, April ficara em Singapura), as duas passaram a conversar por até 12 horas por dia. Foi nesse período que ficou “impossível ignorar” a dimensão daquela amizade, segundo Renee: a certeza de que April era a pessoa que ela mais amava no mundo e a que gostaria de ter ao lado até no momento de morrer. Assim que as fronteiras reabriram, começaram a planejar a mudança para viver juntas.
As duas se descrevem como bissexuais, mas garantem que nunca houve atração física entre elas. O casamento também não significa celibato: ambas estão abertas a namorar outras pessoas, ainda que sem procurar ativamente. Para elas, um relacionamento romântico só somaria à parceria que já construíram, nunca competiria com ela.
O compromisso vai além do afeto: dividem despesas como parceiras financeiras. Numa fase de transição de carreira, quando April acumulou dívida no cartão de crédito, Renee usou um bônus do trabalho para quitá-la inteira, sem alarde, episódio que as duas citam como prova do tipo de parceria que construíram, mais ligada a trabalho em equipe do que a atração ou contato físico.