A morte da atriz Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), encerra uma das carreiras mais importantes da dramaturgia brasileira. A artista morreu em casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais, deixando um legado de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão.
Entre os capítulos mais marcantes dessa trajetória está a passagem por Salvador para as gravações de O Pagador de Promessas (1962), longa dirigido por Anselmo Duarte que se tornaria um dos maiores marcos da história do cinema nacional. Filmado na capital baiana entre agosto e setembro de 1961, o clássico teve como principal cenário as ruas do Centro Histórico e a Igreja de Santa Bárbara, locais que se tornaram parte da identidade visual da obra.
No filme, Glória Menezes interpreta Rosa, esposa de Zé do Burro, personagem vivido por Leonardo Villar. Rosa acompanha o marido durante toda a peregrinação até Salvador, onde ele tenta cumprir a promessa feita após a recuperação de seu burro, Nicolau. Ao longo da trama, a personagem testemunha os conflitos enfrentados pelo casal diante da recusa da Igreja em aceitar a promessa, tornando-se uma figura central na narrativa.

Curiosamente, Glória não faria originalmente o papel de Rosa. Ela havia sido escalada para interpretar Marli, enquanto a atriz Maria Helena Dias viveria a esposa de Zé do Burro. No entanto, Maria Helena contraiu pneumonia antes das filmagens e precisou deixar o elenco. Com a mudança, Glória assumiu o papel de Rosa, enquanto Norma Bengell ficou com o personagem de Marli, decisão que entrou para a história do cinema brasileiro.
O resultado foi um filme que projetou o Brasil internacionalmente. O Pagador de Promessas conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, tornando-se até hoje o único longa-metragem brasileiro a receber o principal prêmio do festival. A produção também foi a primeira do Brasil e da América do Sul indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
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Última passagem por Salvador
A última visita de Glória Menezes a Salvador aconteceu em 2009, quando esteve na capital baiana com o espetáculo Ensina-me a Viver, adaptação da obra de Colin Higgins que inspirou o filme homônimo de 1971.
Na montagem, dirigida por João Falcão, a atriz interpretava Maude, uma mulher octogenária apaixonada pela vida, que desenvolve uma improvável amizade com Harold, um jovem de 20 anos obcecado pela morte, vivido por Arlindo Lopes. A peça transmitia uma mensagem de valorização da vida, das novas descobertas e da capacidade de recomeçar em qualquer idade.