Santa Dulce dos Pobres, conhecida como o Anjo Bom do Brasil, dedicou a maior parte de sua vida ao acolhimento de pessoas pobres e doentes em Salvador. Sua trajetória de fé e solidariedade começou ainda na adolescência e deu origem às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), hoje uma das principais instituições filantrópicas do país.
Mas por que o dia 13 de agosto é dedicado a ela? A data tem um significado especial na história da religiosa. Foi justamente em 13 de agosto de 1933 que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes recebeu o hábito religioso e passou a se chamar Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe. A escolha da data litúrgica, portanto, está ligada ao início de sua vida religiosa.
Nascida em Salvador em 26 de maio de 1914, Maria Rita demonstrou desde cedo a preocupação com os mais necessitados. Aos 13 anos, já acolhia doentes e pessoas em situação de vulnerabilidade no portão de sua casa, no bairro de Nazaré. Em 1933, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, Sergipe, onde recebeu o hábito e adotou o nome que se tornaria conhecido em todo o país.
De volta à Bahia, Irmã Dulce ampliou seu trabalho de assistência. Em 1939, chegou a ocupar cinco casas na Ilha dos Ratos para abrigar doentes que recolhia pelas ruas de Salvador, mas acabou sendo expulsa do local. Durante cerca de uma década, peregrinou por diferentes espaços da cidade até encontrar uma solução definitiva.
Em 1949, com autorização da superiora, a religiosa ocupou um galinheiro localizado ao lado do Convento Santo Antônio para abrigar os primeiros 70 doentes recolhidos das ruas. O episódio deu origem à história, que atravessou gerações, de que o maior hospital da Bahia teria começado em um simples galinheiro. A partir daquela iniciativa, sua obra cresceu com o apoio da população e de colaboradores de diferentes partes do Brasil e do mundo.

Memorial preserva objetos pessoais, fotografias e documentos | Foto: Viaje Comigo
Em 1959, foi fundada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce. Atualmente, a instituição mantém um dos maiores complexos de saúde do Brasil com atendimento 100% gratuito e acolhe mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia, além de atuar em áreas como educação e assistência social. Entre os públicos atendidos estão pacientes oncológicos, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, crianças e adolescentes em situação de risco social e usuários de substâncias psicoativas.
O trabalho de Irmã Dulce ganhou reconhecimento nacional e internacional. Em 1980, durante sua primeira visita ao Brasil, o Papa João Paulo II a incentivou a continuar sua missão. Em 1988, ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz pelo então presidente José Sarney, com apoio da Rainha Sílvia da Suécia.
Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, em Salvador. A causa de canonização foi aberta em 2000 e, anos depois, sua trajetória de fé e serviço levou ao reconhecimento oficial da Igreja Católica. Em 13 de outubro de 2019, o Papa Francisco presidiu, na Praça São Pedro, no Vaticano, a cerimônia de canonização de Dulce Lopes Pontes, ao lado de outros quatro beatos. A partir daquele momento, a religiosa baiana passou oficialmente a ser chamada Santa Dulce dos Pobres.
Mais de três décadas após sua morte, o legado do Anjo Bom continua presente em Salvador. O Memorial Santa Dulce dos Pobres, integrante do complexo do Santuário, preserva objetos pessoais, fotografias, documentos e o quarto onde a religiosa viveu. O espaço também recupera episódios marcantes de sua trajetória, incluindo a história do antigo galinheiro que deu origem à expansão de sua obra.
Assim, o 13 de agosto reúne dois momentos fundamentais da história de Santa Dulce: foi o dia em que Maria Rita recebeu o hábito e passou a assumir a missão religiosa como Irmã Dulce e, posteriormente, tornou-se sua data litúrgica. É uma data que, para os devotos, celebra não apenas a santa canonizada pela Igreja, mas também a trajetória de uma mulher que transformou a fé em ações concretas de cuidado, acolhimento e serviço aos mais pobres.