A Prefeitura de Salvador lançou oficialmente, nesta quinta-feira (6), a temporada de avistamento das baleias-jubarte, reforçando a estratégia de consolidar a capital baiana como um dos principais destinos brasileiros de turismo de natureza e de experiência. O lançamento foi marcado por uma demonstração do potencial da cidade para a atividade: somente na quarta-feira (5), foram avistadas 28 baleias nas proximidades do Farol da Barra.
A programação reuniu representantes da gestão municipal, pesquisadores e profissionais da imprensa em uma saída embarcada pela Baía de Todos-os-Santos. A iniciativa busca ampliar a oferta turística da cidade para além do sol e praia, incentivando atividades ligadas à economia do mar, ao turismo náutico e à educação ambiental.
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Entre julho e outubro, milhares de baleias-jubarte migram da Antártica para o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes para reprodução e nascimento dos filhotes. A costa baiana está entre as principais áreas de concentração da espécie no Atlântico Sul, colocando Salvador em posição privilegiada para desenvolver esse segmento turístico.
Além dos passeios embarcados, a temporada conta com o Ponto Fixo de Observação do Projeto Baleia Jubarte, instalado no Museu Náutico da Bahia, no Farol da Barra. O espaço oferece binóculos gratuitos para moradores e turistas acompanharem o monitoramento dos pesquisadores e abriga a exposição “Salvador das Baleias”. Apenas no ano passado, o ponto registrou cerca de 1,4 mil avistamentos, recebeu mais de 80 mil visitantes, reuniu 10 mil participantes nas atividades de observação e envolveu 103 escolas em ações de educação ambiental.
A secretária municipal do Mar (Semar), Duda Lomanto, destacou que a presença das baleias já movimenta o turismo na cidade. “Hoje, já recebemos turistas do interior, de outros estados e até de outros países. Cada vez mais, Salvador está se tornando esse hub de conexões das baleias. É aqui que elas escolhem ficar, porque aqui é a Baía de Todos-os-Santos, esse lugar sagrado”, afirmou.

Segundo ela, a facilidade de observar os animais próximos à costa é um dos principais diferenciais da capital baiana. “Ontem mesmo, foram avistadas 28 baleias pertinho do Farol da Barra. Então, realmente, a gente tem esse privilégio de não só vê-las olhando para o mar, mas também indo para o mar. Essa facilidade é raríssima no mundo. É um convite para a cidade se movimentar olhando para a Baía de Todos-os-Santos e para as baleias”, completou.
O secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, ressaltou que a importância das baleias vai além do turismo. “Existe um cálculo que diz que uma baleia corresponde a 30 mil árvores. As baleias absorvem gases durante o seu crescimento e, depois, quando morrem, vão para o fundo do oceano. Assim, esse carbono permanece armazenado lá. Então, essa espécie, além de fortalecer o turismo e movimentar a economia, também ajuda o planeta, o meio ambiente e contribui para o combate às mudanças climáticas”, disse.
Coordenador de Pesquisa do Projeto Baleia Jubarte, Sérgio Cipolotti destacou que a recuperação da população da espécie é resultado das ações de conservação. “A costa da Bahia é um grande berçário das baleias-jubarte. Ao longo desses 38 anos de atuação, saímos de uma população estimada entre 1,5 mil e 2 mil baleias, em 1988, para quase 35 mil indivíduos utilizando a costa brasileira. Esse crescimento é um reflexo direto das ações de conservação e, principalmente, do fim da caça comercial, que deu às baleias a oportunidade de se recuperarem”, declarou.

Cipolotti acrescentou que a Baía de Todos-os-Santos oferece condições ideais para a reprodução da espécie. “A Baía de Todos-os-Santos tem um papel muito importante nesse processo porque oferece águas protegidas. As fêmeas vêm para cá ter seus filhotes, e essas áreas abrigadas funcionam como um ambiente seguro para a amamentação”, afirmou.
Durante a temporada, as embarcações seguem protocolos para garantir o bem-estar dos animais, mantendo distância mínima de 100 metros e reduzindo a velocidade durante a aproximação. Em muitos casos, porém, são as próprias baleias que se aproximam espontaneamente dos barcos. Os passeios duram entre duas e quatro horas, podem ser realizados por adultos e crianças e dependem das condições do mar e da presença dos animais, tornando cada saída uma experiência única.