Governo brasileiro critica revogação de visto de embaixadora nos Estados Unidos: “Medidas hostis”

Governo brasileiro critica revogação de visto de embaixadora nos Estados Unidos: “Medidas hostis”

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Reprodução / Agência Brasil

Publicado em 04/08/2026 às 21:42 / Leia em 3 minutos

O governo brasileiro reagiu duramente nesta terça-feira (4) à decisão dos Estados Unidos de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado americano, a medida foi motivada pela demora do Brasil em responder ao pedido de aprovação diplomática do indicado de Donald Trump para chefiar a embaixada dos EUA em território brasileiro.

Em nota da Secretaria de Comunicação da Presidência, o Planalto classificou as duas justificativas apresentadas por Washington como falsas e afirmou que os próprios americanos violaram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ao divulgar publicamente o nome do indicado antes de receber a anuência do país anfitrião, procedimento que, segundo o governo brasileiro, deveria permanecer confidencial até a aprovação. O Itamaraty destacou ainda que não existe prazo estipulado pela própria Convenção para a concessão desse aval, contrariando o argumento americano de demora.

“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, diz a nota

A nota também retomou a recente negativa de visto a dois funcionários do governo dos Estados Unidos que pretendiam monitorar as urnas eletrônicas brasileiras, apontando que a presença de ambos no país teria como real objetivo colocar em xeque o sistema eleitoral nacional e, segundo o texto, revela “interesse descabido de interferir” no pleito presidencial do próximo ano.

Para o governo brasileiro, o episódio se insere em um padrão mais amplo de deterioração da relação bilateral. “A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil”, diz a nota, que atribui as tensões a motivações ideológicas incompatíveis com uma parceria historicamente pautada pelo respeito mútuo.

O Planalto lembrou ainda que autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seguem sob sanções da Lei Magnitsky, impostas pelos Estados Unidos em retaliação à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O texto reforça que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já buscou o diálogo com Trump, inclusive pedindo pessoalmente, durante visita a Washington em maio, o levantamento das sanções individuais contra autoridades brasileiras.

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