A cultura do sertão baiano estará em evidência entre os dias 6 e 15 de agosto. Logo após as celebrações do centenário de Irecê, no início do mês, o município se une às cidades vizinhas de Ibititá e João Dourado para formar um grande circuito cultural: o 9º Festival Internacional de Teatro da Caatinga (FIT).
Durante dez dias, a região será palco de espetáculos, debates e intercâmbios reunindo artistas nacionais e internacionais.
Reconhecido como uma das principais vitrines das artes cênicas no semiárido do país, o evento foi criado em 2012 e ganhou status internacional a partir de 2015. Sua importância para a identidade local é tamanha que o festival foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Irecê, por meio da Lei Municipal nº 1.313/2023.
A proposta vai além da simples exibição de peças. O FIT busca desmistificar estereótipos ligados ao sertão, apresentando o único bioma 100% brasileiro, a Caatinga, como um polo de resistência e potência criativa.
Essa imersão no território se reflete na própria estética das apresentações, onde formações rochosas, a vegetação típica e o pôr do sol deixam de ser mero pano de fundo para atuarem como elementos cênicos que integram a dramaturgia.
A movimentação de grupos teatrais e espectadores também impulsiona a economia criativa nos três municípios sede. O circuito fortalece o turismo cultural, aquece o comércio e gera empregos diretos e indiretos para produtores, técnicos e artistas locais.
A direção artística é assinada pelo teatrólogo Paulo Atto, idealizador do evento e fundador da Cia Teatral Avatar.
O encontro promove um diálogo entre expressões locais, como o xaxado, o cordel e o cancioneiro popular, e as estéticas contemporâneas do teatro global. A programação deste ano traz grandes nomes e montagens consagradas:
- Nasci Pra Ser Dercy: Monólogo premiado (vencedor do Shell e APCA) estrelado por Grace Gianoukas. Com texto e direção de Kiko Rieser e voz em off de Miguel Falabella, a obra homenageia Dercy Gonçalves e já foi vista por mais de 40 mil pessoas.
- O Teu Sorriso Rebelde: Atração internacional dirigida por Rui Frati, do Théâtre de l’Opprimé (Paris). A peça narra a luta de um imigrante contra o racismo e a solidão, usando a alegria como forma de resistir.
- Boca a Boca: Um Solo para Gregório: O ator Ricardo Bittencourt estrela a montagem que mistura teatro, poesia e música para resgatar e mostrar a atualidade da obra do poeta baiano Gregório de Matos.
- Madágugu: Espetáculo de dança da Odun Companhia, formado por jovens da Escola de Dança da Funceb. A obra bebe da fonte criativa de Carlinhos Brown para celebrar a ancestralidade baiana.
- OMNI/A Voz do Meu Pai: Performance do coreógrafo nigeriano Ochai Ogaba, que explora a espiritualidade e a memória africana a partir da relação entre pai e filho.
Para complementar a grade artística, o evento promove ainda o Seminário das Artes do Espetáculo. Com convidados como Maria Marighella, Tatá Universo, Mônica Santana e o próprio nigeriano Ochai Ogaba, o espaço será dedicado a debates sobre memória, dramaturgias negras, novas linguagens cênicas e a circulação de produções artísticas.