Pacientes adultos e crianças com doença renal proteinúrica associada ao gene APOL1 têm até 31 de julho para participar de uma pesquisa clínica internacional que avalia uma terapia inédita para uma das formas mais agressivas de doença renal genética.
Na Bahia, o estudo é coordenado pelo nefrologista e pesquisador Dr. Antônio Raimundo Pinto de Almeida, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA), por meio da Unidade de Gestão da Pesquisa (UGPESQ). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e reúne centros de investigação de diversos estados brasileiros, como Bahia, Pernambuco, Ceará e São Paulo, além de instituições internacionais.
Segundo o pesquisador, o estudo pode representar um avanço importante no tratamento da doença.
“Estamos participando de um estudo internacional extremamente promissor. Hoje, Bahia e Pernambuco concentram um número expressivo de pacientes recrutados no Brasil e já estamos no segundo ano da pesquisa. Se os resultados confirmarem a eficácia, poderemos estar diante do primeiro medicamento desenvolvido especificamente para modificar a evolução de uma doença renal genética associada ao APOL1”, afirma o nefrologista.
A doença renal associada ao gene APOL1 ocorre em pessoas que apresentam duas variantes genéticas específicas, conhecidas como G1 e G2. Essas alterações aumentam significativamente o risco de desenvolvimento e progressão da doença renal crônica, podendo estar relacionadas a enfermidades como glomeruloesclerose segmentar focal (GESF), nefropatia associada ao HIV, nefrite lúpica, nefropatia induzida por interferon e outras doenças renais não diabéticas.
Estudos apontam que pessoas com ascendência africana apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da condição, que costuma evoluir mais rapidamente para insuficiência renal. Estima-se que a presença das duas variantes do APOL1 esteja associada a até 70% dos casos de doença renal não diabética nesse grupo populacional.
O medicamento investigado foi desenvolvido por uma farmacêutica norte-americana e busca bloquear o mecanismo responsável pelas lesões renais causadas pelas alterações no gene APOL1. Atualmente, 14 pacientes baianos já participam da pesquisa.
Como funciona o estudo
O ensaio clínico segue o modelo duplo-cego, considerado o padrão internacional para pesquisas clínicas. Nesse formato, nem os participantes nem a equipe médica sabem quem recebe o medicamento em teste ou o placebo durante a fase inicial do estudo.
Todo o processo de distribuição dos comprimidos é realizado por empresas independentes, garantindo a imparcialidade dos resultados. A pesquisa também é acompanhada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo o Dr. Antônio Raimundo, os participantes passam por acompanhamento médico rigoroso durante toda a pesquisa.
“Os pacientes são acompanhados muito de perto durante toda a pesquisa. Qualquer alteração na saúde é imediatamente avaliada pela equipe médica. Esse acompanhamento rigoroso faz parte dos protocolos internacionais de segurança exigidos para estudos clínicos dessa complexidade.”
Caso a eficácia da terapia seja comprovada, os participantes que inicialmente receberam placebo passarão a utilizar o medicamento experimental na etapa seguinte da pesquisa, permanecendo em acompanhamento e recebendo o tratamento sem custos até uma eventual disponibilização da terapia no Brasil.
Quem pode participar
Podem participar pacientes com:
doença renal proteinúrica;
histórico familiar de doença renal;
glomeruloesclerose segmentar focal (GESF);
doença renal crônica não diabética;
suspeita de doença renal associada ao gene APOL1.
Antes da inclusão no estudo, os candidatos passam por um teste genético para identificar as variantes G1 e G2 do gene APOL1. Também é necessário que o paciente já esteja utilizando o tratamento padrão indicado para preservação da função renal.
Os interessados em realizar a triagem genética podem entrar em contato pelos telefones (71) 99112-6993, (71) 99107-5252 ou (71) 3646-3770.