Após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o espetáculo “Querida Mamãe”, da premiada dramaturga Maria Adelaide Amaral, chega a Salvador reunindo, pela primeira vez no palco, as atrizes Nívea Maria e Regiane Alves. Com direção de Pedro Neschling, a montagem será apresentada nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, no Teatro Jorge Amado, como parte da programação do Catálogo Brasileiro de Teatro.
Os ingressos custam a partir de R$ 50 e podem ser adquiridos através da plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.
Reconhecida como um dos textos mais importantes da dramaturgia brasileira contemporânea, “Querida Mamãe”aborda as complexidades da relação entre mãe e filha, explorando temas como amor, ressentimento, diferenças geracionais, conflitos familiares, identidade e as marcas deixadas por palavras nunca ditas.
Nívea Maria e Regiane Alves vivem intenso drama familiar
Na montagem, Nívea Maria interpreta Ruth, uma mãe marcada pelos valores conservadores e pelas dificuldades impostas pela vida. Já Regiane Alves dá vida à filha Helô, uma mulher que luta para viver de forma mais livre, inclusive em relação às suas escolhas afetivas.
Ao longo da história, o reencontro entre as duas personagens transforma um apartamento repleto de lembranças em palco para revelações, mágoas, afeto e tentativas de reconstrução de um vínculo abalado pelo tempo.
Com diálogos profundos e emocionantes, a peça convida o público a refletir sobre as relações familiares, os silêncios que atravessam gerações e a possibilidade de cura por meio do diálogo.
Texto premiado de Maria Adelaide Amaral é inspirado em sua própria história
Inspirada na relação da autora com sua mãe, “Querida Mamãe” é considerada uma das obras mais importantes de Maria Adelaide Amaral. O texto conquistou alguns dos principais prêmios do teatro brasileiro, incluindo Molière, Shell e Mambembe de Melhor Texto, além dos prêmios Governador do Estado de São Paulo, APCA, Ziembinski e APETESP.
A dramaturgia mergulha no universo feminino ao construir personagens fortes, complexas, contraditórias e profundamente humanas — uma das principais características da obra da autora.
Para o diretor Pedro Neschling, o espetáculo se destaca pela profundidade das emoções e pelas múltiplas interpretações que surgem a cada apresentação.
“O texto é maravilhoso. A forma como as dificuldades de comunicação, as delicadezas e as nuances são colocadas, a quantidade de camadas que existe por trás do que é dito e do que não é dito, tudo é muito rico. E quando você tem duas atrizes como essas, pode encontrar caminhos múltiplos”, afirma.
Além de marcar o encontro entre duas gerações da dramaturgia brasileira, a montagem representa a primeira parceria entre Regiane Alves e Nívea Maria nos palcos. As duas já interpretaram personagens em obras escritas por Maria Adelaide Amaral para a televisão, mas nunca haviam dividido a cena no teatro.
“Essa é a primeira vez que trabalhamos juntas. Sempre acompanhei e admirei o trabalho da Nívea, e tem sido muito especial trocar com uma atriz tão experiente e, ao mesmo tempo, tão aberta a ouvir e compartilhar. É uma realização profissional trabalhar com uma pessoa que está tão presente na nossa memória afetiva”, declara Regiane.