Petrobras reajusta gasolina após meses de queda, mas subsídio reduz impacto nas bombas

Petrobras reajusta gasolina após meses de queda, mas subsídio reduz impacto nas bombas

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Agência Brasil

Publicado em 28/05/2026 às 16:00 / Leia em 3 minutos

A Petrobras anunciou um reajuste nos preços da gasolina vendida às distribuidoras a partir desta sexta-feira. O aumento será de R$ 0,48 por litro, equivalente a uma alta de 18,6%, marcando a primeira elevação do combustível pela estatal desde 2024.

Apesar do reajuste expressivo, o impacto imediato para as distribuidoras será reduzido por causa de um subsídio federal. O governo decidiu bancar um desconto de R$ 0,44 por litro, fazendo com que o aumento efetivo fique em apenas R$ 0,04 por litro.

Com isso, o preço médio da gasolina A, combustível puro produzido pelas refinarias e sem adição de etanol, passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro.

Segundo a Petrobras, o efeito para o consumidor tende a ser ainda menor por causa da composição da gasolina C, combustível vendido nos postos brasileiros e formado por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro.

Nesse caso, a participação da Petrobras no preço final subirá de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, o que representa um impacto máximo estimado em R$ 0,03 nas bombas.

Mesmo assim, o reajuste não chega imediatamente ao consumidor. Após sair das refinarias, o combustível ainda passa pelas distribuidoras e pelos postos, que podem decidir se vão ou não repassar integralmente a alta ao preço final.

A Petrobras não reajustava a gasolina desde 2024. Desde então, a companhia havia promovido cortes sucessivos nos preços: redução de 5,4% em julho de 2025, 5% em novembro de 2025 e mais 5,2% em janeiro de 2026.

O aumento já vinha sendo sinalizado pela presidente da estatal, Magda Chambriard. Em conferência realizada no dia 12 de maio para comentar o balanço do primeiro trimestre, ela afirmou que um reajuste seria anunciado em breve.

A decisão ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional. Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o barril do Brent subiu 36,2%, passando de US$ 72,48 para US$ 98,74.

A alta é atribuída principalmente às tensões envolvendo o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.

Os reflexos já vinham sendo sentidos pelos motoristas brasileiros antes mesmo do reajuste anunciado pela Petrobras. Dados da ANP mostram que a gasolina acumulava alta de 5,4% nos postos desde o início do conflito no Oriente Médio.

O preço médio do litro passou de R$ 6,28 para R$ 6,62, aumento de R$ 0,34.

Para tentar conter um avanço ainda maior nos preços, o governo federal editou uma Medida Provisória criando uma subvenção de até R$ 0,8925 por litro de gasolina. O benefício será direcionado a refinarias, produtores e importadores.

A Petrobras informou que a adesão ao programa é compatível com sua estratégia comercial e afirmou seguir comprometida com uma atuação “responsável, equilibrada e transparente”.

Mesmo com o reajuste, a Abicom, associação que representa importadores de combustíveis, afirma que os preços praticados pela estatal ainda estão defasados em cerca de 55% em relação à paridade internacional. Segundo a entidade, a diferença média chega a R$ 1,15 por litro.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia