O catarinense Lindomar Cardoso Tournier, de 104 anos, entrou para o Guinness World Records como o escritor vivo mais longevo do mundo. Morador de Tubarão, ele mantém uma rotina intelectual ativa mesmo após ultrapassar um século de vida.
O reconhecimento internacional chegou junto com mais uma conquista literária. Na quarta-feira (27), data em que completou 104 anos, Lindomar lançou “Herotídes – Orgulho e Redenção”, o 22º livro da carreira. O evento aconteceu no Museu Willy Zumblick, durante as comemorações do aniversário da cidade catarinense.
Natural de Lauro Müller, o escritor nasceu em 1922 e trabalhou por décadas no comércio e em farmácias antes de se dedicar à literatura.
“Eu sempre tive vontade de escrever e de pintar, mas devido à minha atividade… trabalhava o dia todo, fazia plantão, farmácia… não tinha condições”, contou em entrevista a um veículo local.
O sonho de publicar livros ganhou força após a aposentadoria, motivada por um acidente. Já idoso, Lindomar decidiu aprender informática para continuar escrevendo. Desde então, passou a usar computador, fazer cursos online e desenvolver novos projetos literários. Além da escrita, também se dedica à pintura.
Segundo ele, manter a mente ativa é um dos segredos da longevidade. A rotina inclui leitura diária, produção de textos e participação em atividades culturais.
Atualmente, Lindomar vive em um apartamento com apoio da família e de uma cuidadora que o acompanha há mais de 20 anos. Juliana Germano, responsável pelos cuidados diários do escritor, destacou a disciplina e tranquilidade do centenário.
“Ele acorda de manhã, toma o café, lê o jornal, pinta, escreve… é uma pessoa muito tranquila e inspiradora”, afirmou.
Como a escrita manual se tornou mais difícil, Lindomar passou a gravar ideias e pensamentos para depois transformá-los em texto.
“Ser escritor para mim é um prazer. Nunca busquei ser famoso, mas escrevo com amor”, declarou.
Fundador da cadeira 14 da Academia Tubaronense de Letras, Lindomar afirma que muitas histórias surgem de experiências vividas ao longo da vida, incluindo a viagem que fez ao Rio de Janeiro para acompanhar a Copa do Mundo de 1950.
O processo de reconhecimento pelo Guinness levou anos e contou com o apoio da família na reunião de documentos exigidos pela organização internacional. Recentemente, o escritor também foi homenageado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina pela trajetória cultural construída ao longo de décadas.