Os brasileiros ainda possuem a chance de recuperar uma parte do dinheiro esquecido nas instituições financeiras, embora uma parcela significativa já tenha sido transferida para o programa Desenrola 2.0. O Ministério da Fazenda informou que R$ 5,7 bilhões foram repassados ao Fundo de Garantia de Operações com o objetivo de garantir a renegociação de dívidas da população contra eventuais calotes.
Com base no balanço divulgado pelo Banco Central no mês de março, o montante total abandonado nos bancos era de R$ 10,6 bilhões, o que significa que os clientes ainda podem resgatar cerca de R$ 4,9 bilhões.
Do valor total original, R$ 8,13 bilhões pertenciam a 45,3 milhões de pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões eram direito de pouco mais de 5 milhões de empresas. O governo já havia adiantado no início deste mês que usaria entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões para viabilizar a nova etapa do programa de renegociação.
Para os cidadãos que tiverem recursos transferidos ao fundo público, será lançado um edital de chamamento. Após a publicação do documento, os clientes terão prazo de 30 dias corridos para contestar a transferência. Decorrido esse tempo, os valores não reclamados serão incorporados definitivamente ao Fundo de Garantia. O Ministério da Fazenda argumenta que o recurso passará a gerar benefícios para todo o sistema financeiro e para as famílias endividadas.
O único canal oficial para consultar e solicitar a devolução de cifras de pessoas físicas, empresas ou cidadãos falecidos é o endereço eletrônico do Sistema Valores a Receber. A liberação via Banco Central exige o fornecimento de uma chave Pix, e, caso o cliente não possua o cadastro, é necessário contatar a instituição financeira diretamente.
Para os casos de pessoas falecidas, o resgate deve ser feito por herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal mediante o preenchimento de um termo de responsabilidade. O acesso ao sistema passou por mudanças de segurança e agora exige uma conta no portal Gov.br de nível prata ou ouro com a verificação em duas etapas ativada por meio de um código gerado no aplicativo oficial.
Desde o mês de maio do ano passado, o Banco Central também disponibiliza a adesão facultativa à solicitação automática de resgate. A opção é exclusiva para pessoas físicas que possuem a chave Pix do tipo CPF. O crédito é feito diretamente na conta sem aviso prévio do órgão.
As instituições que não aderiram ao termo de devolução automática continuarão exigindo o pedido manual, regra que também se aplica aos valores oriundos de contas conjuntas. As autoridades alertam que o governo não entra em contato por ligação ou por mensagem para solicitar dados pessoais e pedem a máxima atenção da população para evitar fraudes.