Comissão aprova novo piso salarial para professores da educação básica com ganho real acima da inflação

Comissão aprova novo piso salarial para professores da educação básica com ganho real acima da inflação

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 20/05/2026 às 10:10 / Leia em 3 minutos

Uma comissão mista de senadores e deputados aprovou, na última terça-feira (19), a medida provisória que assegura o piso salarial de R$ 5.130,63 para os professores da educação básica pública no ano de 2026.

O reajuste de 5,4% representa um ganho real de 1,5 ponto percentual acima da inflação registrada em 2025. O piso anterior era fixado em R$ 4.867,77. Os parlamentares aprovaram o relatório da senadora Professora Dorinha Seabra e agora a Medida Provisória 1.334 segue para as votações nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.

A medida altera a Lei do Piso Salarial criada no ano de 2008 para adequar o cálculo anual ao novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. Pela nova proposta, o reajuste passará a considerar a inflação do ano anterior medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor somada a 50% da média de crescimento das receitas do fundo nos 5 anos anteriores.

O texto também cria limites para a atualização, que não poderá ser inferior ao índice inflacionário do ano anterior e nem superior à variação percentual da receita do fundo nos 2 anos anteriores. Segundo o Ministério da Educação, pela regra antiga o reajuste seria de apenas 0,37%.

A proposta original recebeu 34 emendas parlamentares e a relatora acolheu 4 delas. Entre as principais mudanças incluídas no parecer está a ampliação do alcance do piso para os professores temporários e a exigência da divulgação da memória de cálculo utilizada na atualização anual para garantir a transparência do processo.

Segundo a nota técnica do Senado, o impacto financeiro da medida será suportado principalmente por estados, municípios e pelo Distrito Federal, mas a relatora destacou que a proposta não cria uma nova despesa permanente, uma vez que os entes federativos já são obrigados a cumprir a lei.

O relatório aponta que a valorização da categoria com salários mais dignos é um dos fatores essenciais para melhorar a qualidade do ensino e evitar um apagão de professores nas salas de aula. Pesquisas de organizações do 3º setor citadas no documento indicam um déficit de profissionais formados e a projeção de falta de até 235 mil docentes na educação básica até o ano de 2040.

Os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que os educadores brasileiros recebem salários 47% abaixo da média internacional e que apenas 2,4% dos jovens demonstram interesse em seguir a carreira.

Com as alterações aprovadas pela comissão, a proposta passa a tramitar no Congresso como o Projeto de Lei de Conversão 4. A pedido do governo, a relatora também acolheu no texto um dispositivo relacionado a outra medida provisória, a MP 1.332, que trata da regulamentação de terras públicas para evitar a interrupção de processos após o prazo de 60 dias prorrogado em 31 de março.

A emenda altera um decreto de 1946 para autorizar a Secretaria do Patrimônio da União a concluir até o dia 31 de dezembro de 2028 os trabalhos técnicos de identificação de imóveis federais e terrenos de marinha.

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