A médica e pesquisadora brasileira Thais Russomano, referência internacional em medicina espacial, morreu aos 63 anos, no sábado (17), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada neste domingo (18) pela InnovaSpace, organização internacional fundada por ela. Segundo o jornal GZH, a médica tratava um câncer e estava internada no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha.
Nascida em Porto Alegre, em 25 de setembro de 1963, Thais cresceu em Pelotas, no sul do estado. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 1985, e dedicou sua carreira ao estudo dos efeitos das condições espaciais sobre o organismo humano, especialmente durante missões tripuladas.
Sua formação acadêmica incluiu mestrado em Medicina Aeroespacial pela Wright State University, nos Estados Unidos, e doutorado em Fisiologia Espacial pelo King’s College London, no Reino Unido. Ao longo da trajetória, também trabalhou no Centro Aeroespacial Alemão, em Colônia, e desenvolveu projetos de pesquisa e formação científica em diferentes países.
No Brasil, foi uma das fundadoras do Centro de Microgravidade (MicroG) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), criado em 1999 e pioneiro na América Latina no ensino e na pesquisa sobre ciências da vida no espaço. Thais também contribuiu para a criação do Centro de Estudos de Medicina Aeroespacial da Universidade de Lisboa, em Portugal, e presidiu a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial.
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Entre suas principais contribuições está o desenvolvimento, em parceria com os pesquisadores britânicos Lisa e Simon Evetts, do método Evetts-Russomano, uma técnica de reanimação cardiopulmonar adaptada à microgravidade. O procedimento permite que o socorrista utilize as pernas para se manter junto ao paciente durante as compressões torácicas, evitando que ambos se afastem devido à ausência de gravidade. Em 2020, a técnica foi recomendada em uma diretriz internacional para o atendimento inicial de paradas cardíacas em voos espaciais.
A pesquisadora também participou de experimentos em voos parabólicos, utilizados para simular breves períodos de microgravidade, e de iniciativas voltadas à telemedicina e à assistência médica em missões espaciais. Seu trabalho ajudou a ampliar a participação brasileira em uma área estratégica para a exploração espacial e para a segurança de astronautas.
O interesse pelo espaço começou ainda na infância. Em entrevista ao jornal Zero Hora, em 2007, Thais contou que visitou um planetário aos seis anos e, aos oito, já observava o céu diariamente e havia criado um clube de astronomia para crianças.
Ao longo da carreira, a médica reuniu conhecimentos de medicina, fisiologia, engenharia biomédica e pesquisa aeroespacial, tornando-se uma das principais referências brasileiras na área.