A Bahia perdeu US$ 89,1 milhões (cerca de R$ 878,2 milhões) em receitas com exportações para os Estados Unidos entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores. A retração foi de 10,2%, e a celulose foi o principal produto afetado no estado. Os dados são de um levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que aponta prejuízos de R$ 66,8 bilhões para economias municipais brasileiras em meio ao tarifaço americano.
Segundo o estudo, 70 municípios baianos registraram exportações para o mercado norte-americano nos últimos dois anos, o equivalente a 17% do total de cidades do estado. Entre os municípios exportadores da Bahia, 69% tiveram queda no valor das vendas aos Estados Unidos, enquanto 31% registraram aumento. O resultado indica que a retração atingiu a maioria das localidades com relações comerciais com o país, embora parte delas tenha conseguido ampliar suas exportações.
Em todo o Brasil, 1.135 municípios sofreram impactos negativos após o anúncio das tarifas americanas. Desse total, 271 deixaram de exportar completamente para os Estados Unidos, interrompendo vendas que, antes das medidas, somavam R$ 588 milhões. Outros 864 municípios registraram queda média de 30% no valor exportado.
O levantamento também mostra dificuldades para compensar as perdas com novos destinos comerciais. Em 657 municípios, o equivalente a 58% do total afetado, as vendas para outros países não foram suficientes para substituir o mercado norte-americano. Os efeitos mais severos foram observados principalmente em municípios de pequeno porte.
Entre as cadeias produtivas mais atingidas estão petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Somadas, as perdas desses cinco segmentos chegaram a US$ 1 bilhão. No caso do petróleo e do café, a redução das receitas foi acompanhada por quedas de 28% e 43%, respectivamente, no volume embarcado. Já o suco de laranja teve recuo de 33,7% no preço médio, apesar do crescimento de 13,6% na quantidade exportada. O ferro-gusa e a silvicultura também registraram redução nos volumes vendidos e nos preços médios.
Regionalmente, o Sudeste concentrou a maior perda em valores absolutos, com redução de US$ 4,75 bilhões nas exportações para os Estados Unidos. O Sul aparece em seguida, com queda de US$ 1,75 bilhão. No Nordeste, a retração foi de US$ 125,2 milhões, resultado que indica um impacto regional menor em termos absolutos, embora os efeitos variem entre os estados e as cadeias produtivas.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o cenário reforça a necessidade de diversificar os destinos das exportações e fortalecer a produção local. “O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais. Esse caminho é fundamental para as economias municipais, que já enfrentam tantas dificuldades, construam a resiliência necessária no enfrentamento às incertezas do comércio global”, avalia.
O estudo considera os períodos de agosto de 2024 a julho de 2025 e de agosto de 2025 a julho de 2026. De acordo com a CNM, o segundo intervalo registrou o menor patamar de exportações brasileiras de produtos para os Estados Unidos desde 2021, com retração de 12,3% para 9,4%, conforme os indicadores apresentados no levantamento.