“Eu não sou nada, eu estou. Eu estou sempre, constantemente, sendo.” Foi assim que Flor Gil definiu sua relação com a sexualidade e os rótulos. Aos 18 anos, a cantora e atriz afirma que prefere viver suas experiências sem se prender a definições fixas e destaca a liberdade de descobrir quem é ao longo da vida.
“Tem um lado meu que é lésbica, um lado meu que não é. Aí tem uma junção disso, um nome pra isso: bissexualidade. Mas pra mim é um pouco pequeno para o que eu sou”, declarou a artista, em entrevista ao gshow.
Flor começou a compartilhar reflexões sobre sua orientação sexual nas redes sociais aos 14 anos. Agora solteira, ela também confirmou o fim do relacionamento com a modelo norte-americana Nikita Gontarcyk. Ao relembrar o período em que namorava uma mulher, a jovem explicou que não considera ter passado por um processo tradicional de se assumir.
“Eu não precisei assumir nada, na verdade (…) Eu fiz um grande post sobre isso, falando que não estava me assumindo, e que eu tinha um grande privilégio de não ter que sair do armário em algum momento”, afirmou.
A artista reconhece a importância dos rótulos para a comunidade LGBTQIAPN+, especialmente por ajudarem outras pessoas a compreender e acolher a própria identidade. Para ela, no entanto, essas definições não dão conta de toda a sua experiência.
“Sou uma pessoa muito livre. Não sou fixa a nenhum tipo de rótulo ou de ideologia, conceitos. Estou me permitindo navegar entre tudo”, disse.
Flor Gil fala sobre rótulo de ‘nepo baby’
Filha da chef de cozinha e apresentadora Bela Gil e neta do cantor e compositor Gilberto Gil, Flor também comentou sobre o rótulo de “nepo baby”, expressão usada para se referir a pessoas que têm oportunidades profissionais favorecidas por vínculos familiares. Prestes a estrear como atriz, ela afirmou que não se incomoda com a associação e que encara as oportunidades com responsabilidade.
“Eu abraço com muita dedicação. As oportunidades poderiam chegar e eu poderia não dar conta, mas eu vou atrás delas com o maior carinho, respeito, noção e caráter”, declarou.
Para Flor, reconhecer os próprios privilégios é parte fundamental desse processo. A jovem também destacou que está disposta a aprender na prática e aproveitar as oportunidades que surgem em sua trajetória artística.
“A parte mais importante é ter noção e entender o lugar onde cada um se encaixa. Abraçando e aproveitando esse momento com muita dedicação. Fazer bonito. Eu posso não ter uma formação, mas eu posso me dedicar e aprender vivendo”, afirmou.
Aos 18 anos, Flor Gil estreia em musical
A nova fase profissional de Flor inclui a estreia nos palcos com uma versão musical de Confissões de Adolescente, marcada para esta sexta-feira (23), na EcoVilla Ri Happy, na Sala Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A participação no espetáculo chega em um momento em que a artista se mostra disposta a experimentar novas possibilidades e construir a própria identidade.
“Fiz 18 anos, então nada oficialmente me para”, afirmou.
Nascida em Nova York, Flor passou boa parte da infância na cidade e voltou aos Estados Unidos na adolescência para estudar na Kaufman Music Center, escola voltada à música e às artes cênicas. Formada desde meados deste ano, ela retornou ao Brasil e vive agora a experiência de morar sozinha pela primeira vez.
A jovem avalia que o período fora do país contribuiu para sua independência e seu amadurecimento pessoal. “Me formou muito como pessoa em vários aspectos. Na vida prática, inteligência emocional, de ser sagaz, de estar esperta, ter mais consciência das coisas. Eu sou muito grata de ter conseguido viver isso”, contou.
Mesmo com a rotina intensa de ensaios, Flor disse estar gostando de construir seu próprio espaço e descobrir novas formas de aproveitar a própria companhia. “Eu gosto do silêncio, de não ter ninguém perto, eu adoro isso. Eu tenho meus lados”, concluiu.