Morta neste domingo (18), vítima de um câncer, a cantora e atriz Lua Blanco teve uma infância marcada pela música, pela vida em comunidade e por uma rotina distante dos hábitos comuns de muitas crianças. Ao lado dos irmãos Ana Terra, Pedro Sol, Daniel e Estrela Blanco, ela era incentivada pelo pai, o ator e cantor Billy Blanco Jr., a se apresentar em locais públicos desde pequena.
Uma das experiências era o chamado “busking”, prática em que artistas fazem apresentações improvisadas em espaços públicos. Billy Blanco Jr. reunia os filhos e os levava para cantar de surpresa em restaurantes. A atividade começou quando Lua tinha cinco anos e continuou até a adolescência, como uma forma de ajudá-los a perder a timidez e desenvolver os talentos musicais.
“ A gente entrava cantando de surpresa, e isso aconteceu dos cinco anos à adolescência. Muitas vezes, eu tinha vergonha de ir a um restaurante porque alguém da escola podia me ver cantando. Eu dizia: ‘Pai, que vergonha!’. E ele falava, até ver a gente maiorzinho, que nada tinha mudado e tínhamos que cantar”, contou Lua em entrevista ao jornal Extra.
A autonomia também esteve presente na criação da artista. Ela descreveu a infância como vivida em um ambiente “quase hippie”, com a família mantendo uma relação próxima com a natureza. Lua, os pais, a professora e musicista Maria Claudia Blanco e os irmãos chegaram a morar em sete locais diferentes do estado do Rio de Janeiro, além de Salvador, na Bahia, e no Peru.
Segundo a atriz, a família vivia em uma realidade diferente da encontrada nas cidades. Eles não tinham televisão nem acesso a diversos produtos comuns e mantinham uma alimentação baseada em alimentos naturais. “Só fui saber o que era bala e goma de mascar na adolescência. Talvez por isso eu seja viciada em chiclete. Mas é sem açúcar ainda (risos)”, relembrou.