O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) anunciou a ampliação de sua estrutura no Centro Histórico de Salvador. A instituição passa a contar com um complexo cultural formado por dois edifícios, que levam os nomes da artista plástica Yêdamaria e do poeta, compositor e educador Jorge Portugal, ampliando os espaços destinados a exposições, atividades educativas e programação cultural.
O Edifício Yêdamaria, sede principal do museu, funciona no antigo prédio do Thesouro Estadual. Já o Edifício Jorge Portugal, instalado no imóvel da antiga Assistência Pública, está em processo de requalificação e será dedicado especialmente a atividades de formação, pesquisa e apresentação de novos artistas. O espaço já vem recebendo a exposição Tincoã.

MUNCAB amplia sua estrutura e passa a ter dois edifícios no Centro Histórico de Salvador
A expansão faz parte de um novo momento institucional do MUNCAB, sob a gestão de Cíntia Maria, diretora-geral, e Jamile Coelho, diretora artística. A proposta é fortalecer o museu como espaço de preservação, produção e circulação da cultura afro-brasileira, reunindo arte, educação, memória e conhecimento.
A escolha dos nomes dos edifícios também representa uma homenagem a duas personalidades que contribuíram para a cultura baiana e para a própria história da instituição.
Nascida em Salvador, em 1932, Yêdamaria construiu uma trajetória de mais de cinco décadas nas artes visuais, com trabalhos em pintura, gravura, colagem e desenho. Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também foi professora, a artista tem a obra Yemanjá, de 1975, no acervo do museu. Ela também esteve entre as referências que participaram da idealização do MUNCAB.

MUNCAB amplia sua estrutura e passa a ter dois edifícios no Centro Histórico de Salvador
Jorge Portugal, por sua vez, foi poeta, compositor, professor e gestor cultural, com atuação marcante na educação e na valorização da cultura baiana. Ele participou das articulações que contribuíram para a criação do museu e da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), iniciadas em 2002.
Para Jamile Coelho, a homenagem representa também um gesto de valorização da memória e da identidade negra de Salvador.
“Ao renomeá-las em homenagem a figuras fundamentais da produção intelectual, artística e cultural negra, realizamos um gesto de reparação simbólica, restituímos presenças historicamente apagadas e reafirmamos a importância dessas trajetórias para a memória e a identidade da cidade”, destacou.
Com os dois edifícios integrados em um mesmo complexo, o MUNCAB amplia sua presença no Centro Histórico e fortalece as possibilidades de realização de exposições, atividades educativas e projetos voltados à cultura afro-brasileira.
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