O cantor baiano Netinho, dono de sucessos como “Milla”, “Menina” e “Capricho dos Deuses”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos. Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, o artista construiu uma carreira marcada pela força do axé music e pela presença nos carnavais e micaretas do Brasil.
A trajetória musical começou em bares de Salvador, onde cantava MPB e bossa nova. Em 1987, ele passou a integrar a Banda Beijo, grupo com o qual ganhou projeção nacional. No ano seguinte, participou do álbum Prove Beijo, que trouxe o sucesso “Beijo na Boca”. A banda também lançou músicas como “Eu Quero Beijo” e “Me Dê Amor”, que ampliaram o alcance do grupo pelo país.
Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo com o disco Um Beijo pra Você. O trabalho apresentou sucessos como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”, que integrou a trilha sonora da novela Tropicaliente, da TV Globo. A fase consolidou o cantor como um dos nomes em evidência na música baiana dos anos 1990.
O maior marco comercial da carreira veio em 1996, com o álbum Netinho ao Vivo!. Gravado em Aracaju, o disco impulsionou “Milla”, composição de Manno Góes que se tornou um dos hinos do axé music. Segundo a biografia oficial do cantor, o álbum ultrapassou três milhões de cópias vendidas e a música ganhou versões em diferentes idiomas.
No ano seguinte, Netinho lançou Me Leva, que trouxe “Pra Te Ter Aqui”, incluída na trilha sonora da novela Corpo Dourado. O artista também ampliou sua atuação na produção musical e participou de projetos ligados a outros nomes da música brasileira. Ao longo dos anos, manteve no repertório canções que se tornaram presença frequente em festas e eventos carnavalescos.
Problemas de saúde nos últimos anos
Em 2013, Netinho enfrentou um grave período de internações e cirurgias. Mais de uma década depois, em março de 2025, foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Após tratamento, chegou a anunciar a remissão da doença, mas revelou em maio de 2026 que o câncer havia retornado.
Em setembro deste ano, o cantor voltou a ser internado em Salvador para tratar a recidiva do linfoma. A equipe informou que ele se afastaria temporariamente das redes sociais para se dedicar ao tratamento.
A morte de Netinho encerra a trajetória de um artista cuja voz ficou associada a uma das fases de maior popularidade do axé music no Brasil, com canções que atravessaram gerações e ajudaram a levar a música baiana a diferentes públicos.