O legado de Francisco de Assis Couto dos Reis (1926–2011), um dos principais nomes da arquitetura moderna na Bahia, ganhará espaço em uma das mais importantes instituições dedicadas à preservação da memória arquitetônica. A Casa da Arquitectura, em Portugal, vai incorporar ao seu acervo os arquivos completos do profissional, conhecido como Assis Reis, e do português Eduardo Souto de Moura, vencedor do Prêmio Pritzker, considerado a maior honraria mundial da arquitetura.
A incorporação reúne desenhos, maquetes, fotografias e croquis dos dois arquitetos, preservando registros de suas trajetórias e contribuições para a arquitetura e o urbanismo.
Nascido em Aracaju, em 1926, Assis Reis construiu grande parte de sua carreira em Salvador, cidade onde se formou em Arquitetura, em 1957, pela então Universidade da Bahia, atual Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também atuou como professor da instituição e participou de importantes transformações urbanísticas da capital baiana.
Entre seus projetos mais conhecidos estão a sede da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), o Solar das Mangueiras e o Solar do Itaigara, edifícios construídos em Salvador na década de 1970.
O arquiteto também foi responsável pela criação da maquete de Salvador, iniciada em 1975, que reproduz a cidade em escala de 1:2.000 e se tornou uma importante referência para estudos urbanos e preservação da memória da capital.
Ao longo de sua trajetória, Assis Reis participou ainda de projetos de requalificação de espaços públicos, incluindo a Praça da Sé e a Praça da Inglaterra, no Centro Histórico de Salvador.
Em 2008, recebeu o Colar de Ouro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), uma das principais distinções da arquitetura nacional, em reconhecimento ao conjunto de sua obra.
O português Eduardo Souto de Moura, cujo acervo também será incorporado à instituição, recebeu o Prêmio Pritzker em 2011. Reconhecido internacionalmente por sua linguagem arquitetônica contemporânea, assina projetos como o Estádio Municipal de Braga e intervenções ligadas ao metrô do Porto.
A chegada dos dois arquivos à Casa da Arquitectura amplia a preservação e o acesso a documentos que ajudam a compreender diferentes momentos da produção arquitetônica brasileira e portuguesa.