Nobel da Paz 2026 vai para Navi Pillay, jurista sul-africana que enfrentou o apartheid

Nobel da Paz 2026 vai para Navi Pillay, jurista sul-africana que enfrentou o apartheid

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Fabrice Coffrini/AFP

Publicado em 09/10/2026 às 07:39

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O Comitê Norueguês do Nobel destacou sua atuação na defesa dos direitos humanos e do direito internacional, além de sua trajetória marcada pelo enfrentamento à discriminação racial e pela participação em julgamentos de crimes contra a humanidade.

Pillay foi laureada “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”, afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, durante o anúncio em Oslo, na Noruega.

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, a jurista iniciou sua carreira durante o apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país entre as décadas de 1940 e 1990. Na época, a população negra era submetida a profundas restrições de direitos, enquanto a minoria branca concentrava os privilégios políticos e civis.

Pillay ganhou destaque por sua atuação contra o sistema segregacionista, chegando a garantir que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando estava preso. Posteriormente, foi nomeada por Mandela para a Suprema Corte da África do Sul, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o mais alto tribunal do país.

“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, afirmou Frydnes.

A partir de 1995, sua carreira ganhou dimensão internacional. Pillay atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano. Também integrou tribunais internacionais dedicados à responsabilização por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, função que a colocou à frente dos esforços da organização para monitorar violações de direitos fundamentais em diferentes países. Mais recentemente, presidiu um comitê contratado pela ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O relatório provocou reações e ampliou a atenção internacional sobre sua atuação. Em seu breve discurso após receber a notícia da premiação, a jurista afirmou ter ficado surpresa com a escolha e defendeu os direitos humanos, mencionando também as reações ao documento sobre Gaza.

Segundo Frydnes, Pillay só foi informada de que havia vencido o Nobel após o anúncio oficial. Durante a cerimônia em Oslo, o presidente do comitê chegou a brincar e pedir que ela “atendesse o telefone”.

Com a conquista, Pillay se tornou a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 laureados desde a criação da premiação. Além da medalha de ouro com o perfil de Alfred Nobel, fundador do prêmio, ela receberá 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões.

Neste ano, 287 candidaturas foram apresentadas ao prêmio, sendo 208 de pessoas e 79 de organizações, de acordo com o comitê. Os nomes dos indicados permanecem em sigilo por 50 anos, conforme as regras da premiação. O vencedor é escolhido por um comitê de cinco integrantes nomeados pelo Parlamento da Noruega, sem vínculo institucional com o governo norueguês.

A escolha de Pillay também marca mais uma edição em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não recebe o Nobel da Paz, apesar de ter defendido publicamente sua candidatura. Nesta semana, ele voltou a reivindicar reconhecimento por sua atuação internacional, afirmando que “impediu a destruição total do mundo”.

Em 2025, Trump também fez campanha para receber o prêmio, alegando ter encerrado oito guerras. Na ocasião, a vencedora foi a líder opositora venezuelana María Corina Machado, reconhecida por sua atuação em defesa da democracia e dos direitos humanos na Venezuela.

A premiação de Machado, porém, foi seguida de controvérsia após ela entregar sua medalha a Trump, em meio à pressão do presidente norte-americano e à tentativa da oposição venezuelana de conquistar o poder com apoio dos Estados Unidos. Apesar do gesto, Machado não assumiu o comando do país após a operação militar norte-americana que depôs Nicolás Maduro, e a vice-presidente Delcy Rodríguez permaneceu no poder.

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