Flybondi entra com pedido de recuperação judicial após 57 dias sem voar; entenda a crise

Flybondi entra com pedido de recuperação judicial após 57 dias sem voar; entenda a crise

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 08/10/2026 às 10:00

Depois de ficar 57 dias sem operar voos, a Flybondi entrou com pedido de recuperação judicial na Argentina, em um processo que busca preservar a empresa e permitir a renegociação das dívidas com seus credores. A medida ocorre em meio a uma forte crise operacional. Atualmente, a companhia aérea tem apenas três aeronaves na Argentina, todas sem operar, enquanto outras dez foram devolvidas às empresas de leasing. A companhia também enfrenta problemas em seu site, que voltou a ficar indisponível, dificultando a compra de passagens e o gerenciamento de reservas.

A situação financeira da empresa se agravou nos últimos meses. As contas da Flybondi foram alvo de bloqueios relacionados a dívidas com órgãos públicos argentinos. A Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA), por exemplo, obteve na Justiça a execução fiscal de uma dívida de 1,525 bilhão de pesos, valor que chegou a aproximadamente 1,754 bilhão de pesos com juros e custos. Já a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) também conseguiu embargar as contas da companhia por uma dívida de cerca de 1,5 bilhão de pesos referente a taxas de segurança.

Além dos débitos com o poder público, a empresa acumula pendências com fornecedores e enfrenta cobranças trabalhistas. Ex-funcionários chegaram a protestar em Buenos Aires em busca do pagamento de indenizações e valores relacionados a desligamentos voluntários. Segundo os trabalhadores, a situação afeta cerca de mil famílias.

Os passageiros também estão entre os afetados pela crise. De acordo com levantamento do site Failbondi citado pelo La Nación, aproximadamente 2,4 mil voos foram cancelados pela companhia em 2026, atingindo cerca de 383 mil passageiros. A mesma fonte afirma que a empresa não teria realizado reembolsos desde janeiro para passageiros prejudicados pelos cancelamentos. Considerando uma estimativa de US$ 50 por passageiro e por trecho, os valores pendentes ultrapassariam US$ 19 milhões.

A crise da companhia também tem impacto direto sobre Salvador. Em julho, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia determinado restrições à atuação da Flybondi no Brasil após identificar um alto índice de cancelamentos, falhas operacionais e problemas no atendimento aos passageiros. Entre 1º e 27 de julho, a empresa cancelou 79% dos voos registrados no país.

Na ocasião, a Anac proibiu a Flybondi de comercializar passagens para destinos brasileiros que ainda não eram efetivamente atendidos pela companhia, incluindo Salvador, Maceió e Florianópolis, além de impedir a criação de novos destinos, o aumento de frequências e a ampliação das operações no país.

A Flybondi havia iniciado a operação entre Salvador e Buenos Aires em dezembro de 2025, em uma rota sazonal que funcionou até março deste ano. A expectativa era de que a companhia retomasse os voos para a capital baiana na alta temporada.

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