Morre Juarez Machado, aos 85 anos, conhecido como o “mímico” do Fantástico

Morre Juarez Machado, aos 85 anos, conhecido como o “mímico” do Fantástico

Redação Alô Alô Bahia

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Acervo Pessoal

Publicado em 07/10/2026 às 08:41

Morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, o artista catarinense Juarez Machado, um dos nomes mais importantes e representativos da arte brasileira dos séculos 20 e 21. Ele estava internado em Vassouras, no Rio de Janeiro, desde 29 de setembro, para tratar uma pneumonia, e sofreu uma parada cardíaca. Juarez deixa três filhos.

Pintor, escultor, desenhista, caricaturista, cenógrafo, escritor e ator, o artista construiu uma trajetória marcada pela experimentação e por uma estética singular. Tornou-se nacionalmente conhecido nos anos 1970 pelo trabalho no “Fantástico”, da TV Globo, onde ficou famoso por suas aparições silenciosas, com o rosto pintado de branco e interagindo com os próprios desenhos.

Juarez Machado nasceu em Joinville, Santa Catarina, e demonstrou interesse pelas artes desde a infância. Ainda adolescente, trabalhou como ilustrador e, depois de servir ao Exército, mudou-se para Curitiba para estudar na Faculdade de Belas Artes. Na capital paranaense, iniciou a carreira na televisão como cenógrafo e recebeu os primeiros prêmios por seus trabalhos em pintura, desenho e escultura.

Após a formação, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a conviver com nomes importantes da imprensa e da cultura brasileira, como Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes. Durante a ditadura militar, colaborou com publicações como O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Desfile, Ele e Ela, O Pasquim e Jornal do Brasil, usando o humor e a caricatura para driblar a censura.

Em 1973, integrou a equipe responsável pela criação do “Fantástico”. Como cenógrafo, participou da produção de cenários e efeitos para videoclipes de artistas como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago. No ano seguinte, diante da ausência de Chico Anysio, criou um quadro de humor inspirado em sua coluna “Nonsense”, do Jornal do Brasil. A participação acabou se tornando uma das marcas de sua passagem pelo programa.

Outro marco de sua carreira foi “Ida e Volta”, publicado em 1975 e considerado o primeiro livro brasileiro com uma narrativa construída exclusivamente por imagens. A experiência foi seguida por outros trabalhos no mesmo formato, como “Domingo de Manhã”, “Limite”, “Saída e Emoções”.

Em 1986, Juarez Machado mudou-se para Paris e se estabeleceu em Montmartre, tradicional bairro ligado à vida artística da capital francesa. Sua produção alcançou exposições e coleções em países como Estados Unidos, Portugal, Itália, Japão, Suíça, Líbano, Bélgica e Austrália.

A obra do brasileiro também chegou ao cinema internacional. O cineasta francês Jean-Pierre Jeunet conheceu seus trabalhos em uma exposição em Paris e encontrou neles referências visuais para “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Duas pinturas de Juarez aparecem no quarto da protagonista. Posteriormente, o artista também colaborou com Jeunet em “Eterno Amor”, novamente com Audrey Tautou no elenco.

Apesar da projeção internacional, Juarez manteve forte ligação com Joinville. Em 2014, concretizou uma promessa feita aos 19 anos e fundou, ao lado do irmão Edson Machado, o Instituto Internacional Juarez Machado, construído no terreno onde ficava a antiga casa de seus pais. O espaço reúne galerias e biblioteca e também recebe exposições de artistas locais, nacionais e internacionais.

O artista ainda emprestou seu nome a um dos teatros do Centreventos Cau Hansen, em Joinville, e deixou obras importantes na cidade, como o mural “O Grande Circo”, formado por 963 peças cerâmicas pintadas à mão e instalado na entrada principal do complexo.

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