O Pastor Sargento Isidório (Avante) voltou a ocupar o centro da política baiana após ser eleito, neste domingo (4), como o deputado federal mais votado da Bahia. Aos 64 anos, o político recebeu 248.147 votos, o equivalente a 3% dos votos válidos do estado, segundo dados da apuração oficial.
O resultado marca uma nova fase de uma trajetória política que começou há mais de duas décadas e que mistura religião, carreira militar, atuação social e declarações de forte repercussão nacional.
De policial militar a pastor
Nascido em Salvador, em 28 de julho de 1962, Manoel Isidório de Santana Júnior ingressou na Polícia Militar da Bahia em 1981. Também cursou Técnico de Enfermagem e chegou ao posto de sargento. Depois de se converter ao pentecostalismo, passou a atuar como pastor e criou, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, a Fundação Doutor Jesus, instituição voltada ao acolhimento e à recuperação de pessoas com dependência química.
A entidade se tornou uma das principais marcas de sua trajetória pública. O governo da Bahia registra que a fundação foi criada a partir da experiência pessoal de Isidório com o alcoolismo e desenvolveu atividades de recuperação e acompanhamento de pessoas em situação de dependência.
A entrada na política
Isidório chegou à Assembleia Legislativa da Bahia em 2003 e permaneceu como deputado estadual até 2018. Nesse período, também disputou eleições para prefeito de Candeias e Salvador, sem ser eleito para os cargos executivos.
Em 2018, sua primeira eleição para a Câmara dos Deputados produziu um resultado expressivo: ele recebeu 323.264 votos e foi o deputado federal mais votado da Bahia naquele pleito.
Quatro anos depois, porém, sua votação caiu significativamente. Em 2022, Isidório teve 77.164 votos, mas ainda conseguiu uma das 39 cadeiras destinadas à Bahia na Câmara.
Em 2026, voltou a crescer e terminou novamente no primeiro lugar entre os candidatos a deputado federal no estado, com 248.147 votos.
De onde veio o ‘doido’?
A imagem de Isidório como uma figura política excêntrica ajudou a construir sua identidade pública. Ele costuma aparecer em eventos e no Congresso com Bíblia nas mãos e já protagonizou discursos performáticos.
Na campanha para a Prefeitura de Salvador, em 2016, ficou conhecido pelo jingle que repetia a ideia de que “era a vez do doido”. O apelido acabou incorporado à própria persona política do parlamentar.
A expressão também apareceu em um dos episódios mais inusitados de sua atuação no Congresso.
O dia em que Isidório desafiou Trump
Em abril de 2025, durante um discurso na Câmara, Isidório criticou o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por suas ações na política internacional.
O deputado chegou a defender que uma comissão da Câmara o enviasse aos Estados Unidos para conversar com Trump e tentar convencê-lo a abandonar medidas que, na avaliação de Isidório, poderiam aumentar as tensões internacionais.
No mesmo discurso, ele incorporou a própria fama ao se apresentar como um “doido vindo da Bahia” e afirmou que estava disposto a defender a paz mundial. O pronunciamento está registrado oficialmente nos arquivos da Câmara dos Deputados.
Um político de trajetória pouco linear
A carreira de Isidório também não cabe facilmente em uma única corrente política. Ao longo dos anos, ele passou por diferentes partidos e construiu uma atuação marcada por pautas religiosas e de costumes, ao mesmo tempo em que manteve relações políticas com diferentes grupos na Bahia.
Em 2023, a Folha de S.Paulo descreveu sua trajetória como marcada por mudanças de percurso e posições controversas. O jornal também destacou a imagem pública formada pelo uniforme militar, pela Bíblia e por performances que ajudaram a transformá-lo em uma das figuras mais reconhecíveis da bancada baiana.
Hoje, Isidório está em seu segundo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados e, em 2026, ocupou também a primeira vice-presidência da Comissão de Administração e Serviço Público. A Câmara registra ainda sua participação em comissões relacionadas à saúde, previdência, família e primeira infância.
A votação de 2026, portanto, representa mais do que uma reeleição: Isidório recuperou o posto de deputado federal mais votado da Bahia, seis anos depois de ter experimentado uma forte queda na quantidade de votos recebidos em relação ao recorde de 2018.