Com Flávio Bolsonaro (PL) em primeiro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo no primeiro turno presidencial, o petista terá de alcançar um resultado sem precedente nas eleições brasileiras sob o atual sistema. Desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu vencer a votação final para o Palácio do Planalto. O histórico das eleições mostra que o líder da primeira etapa foi eleito em todas as sete disputas decididas em dois turnos até 2022.
Nesse período, a Presidência foi definida em segundo turno em 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. As únicas exceções foram as eleições de 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso conquistou votos suficientes para vencer já na primeira votação.
Com 98,98% das seções apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) liderava a disputa presidencial com 47,22% dos votos válidos, o equivalente a 55.753.465 votos, enquanto Lula (PT) tinha 44,94%, com 53.064.809 votos. A vantagem era de cerca de 2,7 milhões de votos, segundo a atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das 21h13 deste domingo (4).
Fernando Collor manteve a liderança sobre Lula em 1989. O petista, por sua vez, terminou em primeiro e venceu José Serra em 2002 e Geraldo Alckmin em 2006. Dilma Rousseff repetiu a sequência diante de Serra, em 2010, e de Aécio Neves, em 2014. Jair Bolsonaro fez o mesmo contra Fernando Haddad em 2018, assim como Lula diante de Bolsonaro em 2022.
Adversários já reduziram a diferença entre os turnos
A ausência de uma virada presidencial não significa que a distância entre os candidatos tenha permanecido igual. Em 2014, Dilma terminou o primeiro turno com 41,59% dos votos válidos, enquanto Aécio recebeu 33,55%. A diferença de 8,04 pontos percentuais caiu para 3,28 pontos no segundo turno, quando a petista foi reeleita com 51,64%, contra 48,36% do tucano.
Movimento semelhante ocorreu em 2022. Lula avançou com 48,43% dos votos válidos, diante de 43,20% de Jair Bolsonaro, uma vantagem de 5,23 pontos percentuais. Na votação final, o petista venceu com 50,90%, contra 49,10% do adversário. A distância caiu para 1,80 ponto, mas a ordem dos candidatos não mudou.
Votos do primeiro turno não são somados aos do segundo
O retrospecto não garante a vitória de quem chega à etapa final em primeiro. O segundo turno é uma nova votação: os votos recebidos anteriormente servem para definir os dois classificados e não são somados ao resultado seguinte. Vence quem obtiver a maioria dos votos válidos nessa nova disputa, sem considerar brancos e nulos.
Assim, no cenário de Flávio à frente e Lula em segundo, o petista precisará superar o adversário nas urnas em 25 de outubro para conquistar mais um mandato. Se conseguir, será o primeiro candidato a vencer uma eleição presidencial brasileira depois de terminar a primeira etapa na segunda posição, desde a adoção do sistema de dois turnos.