Aos 62 anos, Marisa Orth encara um novo desafio na carreira e protagoniza seu primeiro curta-metragem sensual. A produção, voltada para o público maior de 18 anos, estreia nesta quarta-feira (30), às 20h, na plataforma Amasso. Dirigido por Gringo Cardia, com codireção de Bárbara Paz, o filme também conta com a participação do ator Vitor Gadelha, de 38 anos.
Mais do que explorar a sensualidade, o projeto abriu espaço para Marisa colocar em pauta um assunto que ainda considera cercado de tabus: o desejo e a sexualidade da mulher madura.
Em entrevista à Quem, a atriz afirmou que decidiu aceitar o convite também pela possibilidade de discutir o tema de forma mais direta. “Acho que existe, sim, um tabu. Acho que é uma contribuição pra minha colocação em relação ao antietarismo. Porque a sexualidade da mulher é uma dor. ‘Existe ou não existe?’. Pelo amor de Deus, não é alguma coisa a ser discutida. Não é uma discussão”, declarou.
Para Marisa, a produção também representa uma maneira de questionar a chamada “moralização” da sexualidade. “Eu não gosto dessa moralização pra onde a gente tá caminhando, porque eu sinto uma hipocrisia muito grande”, afirmou. Segundo ela, a questão deveria ser tratada com mais naturalidade e aceitação.
A atriz também afirmou estar preparada para possíveis reações negativas após o lançamento do filme. Para ela, a repercussão nas redes sociais é inevitável diante de qualquer trabalho que provoque discussão.
“Provavelmente vai incomodar. Vai ter hater, mas tem hater pra tudo, gente. Sei lá, você canta Parabéns a Você na internet, a pessoa escreve: ‘Você falou a letra errada de Parabéns a Você’. Sei lá! Hater tem pra tudo”, brincou.
Marisa Orth revela insegurança antes das gravações
Recentemente, a atriz contou que sua primeira reação ao receber o convite para protagonizar o curta foi de surpresa. “Me assustei inicialmente da proposta. Falei: ‘Gente, como assim? Obrigada, mas que absurdo’. Ficava oscilando”, revelou.
Com o passar do tempo, porém, Marisa passou a encarar o trabalho como um desafio profissional. A preparação incluiu uma rotina de cuidados com o corpo para as gravações.
“Me obrigou a ficar mais bonita, me obrigou a cuidar mais de mim, emagreci mais, cuidei mais do meu corpo. Foi um trabalho bem cansativo”, contou.
Depois de assistir ao resultado, a atriz afirmou ter se sentido mais confortável com a proposta. “É muito elegante e muito sensual, muito chique e sexy”, avaliou.
A relação de confiança com Gringo Cardia também teve um papel importante durante as filmagens. Os dois se conhecem há décadas e já haviam trabalhado juntos na edição da Playboy estrelada por Marisa em agosto de 1997.
Segundo a atriz, a proximidade permitiu que o diretor desse orientações de maneira bastante direta durante as gravações, inclusive sobre poses, iluminação e enquadramentos.
“Ele tem absoluta e total liberdade para falar se está horrível, se está feio, levanta, não, está caída, não dá, ou está linda, vamos”, relatou.
Marisa também destacou a presença de Bárbara Paz na equipe. Para a atriz, contar com outra mulher na direção ajudou a tornar o processo mais confortável.
“Uma amiga, uma mulher, sempre dá aquele help, mas eu me sinto muito à vontade com o Gringo e com a Bárbara. Não me senti objetificada”, afirmou.
De acordo com Marisa, a produção foi construída com limites bem definidos pela equipe. A proposta era explorar a sensualidade e a fantasia sem transformar o curta em uma produção explícita.
“Existia uma lacuna entre algo que não fosse explícito, como OnlyFans ou pornô, e que ocupasse um espaço que a Playboy tinha, um espaço mais de fantasia”, explicou.
O curta tem aproximadamente dez minutos e acompanha os personagens interpretados por Marisa Orth e Vitor Gadelha, que se conhecem e passam uma noite juntos. A narrativa aposta na sugestão e na sensualidade, deixando parte da história para a imaginação do público.