Gustavo Kuerten completa 50 anos nesta quinta-feira (10) e, embora esteja longe da rotina do circuito profissional que o transformou em um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, o ex-tenista continua bastante ativo. Guga divide o tempo entre a família, projetos sociais, educação esportiva e negócios, mantendo também uma ligação próxima com o tênis.
Nascido em Florianópolis, em 10 de setembro de 1976, Gustavo Kuerten começou a jogar tênis aos seis anos e passou a ser treinado por Larri Passos aos 14. Em 1995, tornou-se profissional e, dois anos depois, entrou definitivamente para a história ao conquistar seu primeiro título de Roland Garros, aos 20 anos e ainda como número 66 do mundo.
Aquela vitória foi apenas o início. Guga voltou a levantar o troféu do Grand Slam francês em 2000 e 2001. Em 2000, chegou ao topo do ranking da ATP e permaneceu como número 1 do mundo por 43 semanas. Ao todo, encerrou a carreira com 28 títulos, sendo 20 em simples e oito em duplas.
As lesões, principalmente as dores crônicas no quadril, encurtaram sua trajetória. Depois de disputar poucas competições entre 2005 e 2007, Guga anunciou a aposentadoria em 25 de maio de 2008, justamente na quadra central de Roland Garros, torneio que marcou sua carreira. Mais tarde, tornou-se embaixador mundial da competição e, em 2012, entrou para o Hall da Fama Internacional do Tênis.
Se nas décadas de 1990 e 2000 Guga ajudou a popularizar o tênis entre os brasileiros, atualmente uma de suas principais frentes está fora das quadras, com trabalho social. O Instituto Guga Kuerten (IGK), criado em 2000, mantém projetos voltados principalmente à inclusão e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Em agosto deste ano, durante a 23ª edição do Prêmio IGK, Guga participou da cerimônia como presidente de honra da instituição.

Guga foi o único brasileiro a ter alcançado o número 1 do ranking mundial | Foto: Divulgação
Segundo dados apresentados pelo próprio instituto, o IGK já havia atendido 126.561 pessoas e investido mais de R$ 66 milhões em programas socioeducativos. A entidade atualmente está presente em 188 municípios. Em 2026, entre as iniciativas do instituto estão o programa Campeões da Vida e o projeto Tênis em Movimento, que busca ampliar o acesso dos educandos à modalidade que marcou a trajetória do ex-atleta.
Outra frente importante é a Escola Guga, rede de franquias dedicada ao ensino de tênis e beach tennis. A iniciativa nasceu do desejo do ex-atleta de aproximar o esporte das novas gerações e transformou a metodologia associada ao seu nome em um negócio de educação esportiva.
Em 2025, a rede tinha 22 unidades espalhadas pelo Brasil e mais de 6 mil alunos formados, segundo informações divulgadas pela Exame. Em setembro de 2026, a Escola Guga realiza em Florianópolis a 14ª edição do ENEG, encontro que reúne gestores, professores e equipes das unidades de todo o país.
A vida profissional de Gustavo Kuerten também se expandiu bastante depois da aposentadoria. Ao lado do irmão Rafael Kuerten, ele integra o Grupo Guga Kuerten, criado a partir da estrutura que administrava sua carreira esportiva. O grupo reúne negócios e iniciativas em áreas como educação esportiva, gestão de marca, energia fotovoltaica, investimentos financeiros e mercado imobiliário. Em entrevista à Exame, os irmãos apontaram justamente os setores imobiliário e de energia sustentável como áreas de maior foco dos investimentos.
E a relação com o tênis? Ela nunca desapareceu. Guga segue sendo uma das principais referências do esporte no país e seu nome continua presente nos grandes eventos. No Rio Open, por exemplo, a principal quadra do torneio leva o nome de Guga Kuerten. Em 2026, a arena recebeu a cerimônia de abertura da competição, e o torneio anunciou posteriormente uma expansão para 2027, quando a Quadra Guga Kuerten passará a comportar 9,5 mil pessoas.
A influência sobre a nova geração também permanece evidente. Em maio deste ano, durante Roland Garros, o jovem brasileiro João Fonseca afirmou à ATP que Guga não é apenas um ídolo, mas também uma inspiração. A própria ATP destaca Kuerten como o único brasileiro a ter alcançado o número 1 do ranking mundial.