Isaac, de apenas 5 meses, deixou a UTI após passar por um transplante de fígado no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Parte do órgão transplantado foi doada pelo próprio pai. A cirurgia aconteceu em 19 de agosto e, agora, o bebê continua a recuperação na enfermaria.
O menino nasceu com atresia de vias biliares, uma doença rara que causa a obstrução progressiva dos canais que transportam a bile do fígado até o intestino. Sem tratamento, a condição pode provocar danos graves ao fígado e está entre as principais causas de transplante hepático na infância.
O procedimento durou aproximadamente 10 horas e exigiu cuidados específicos devido ao tamanho e à idade do paciente. Poucos dias depois da cirurgia, a mãe de Isaac já percebeu mudanças no filho, segundo reportagem do Jornal da Record.
Parte do fígado foi doada pelo pai
O pai de Isaac foi o doador vivo no transplante. Uma parte de seu fígado foi retirada e implantada no bebê. A possibilidade desse tipo de procedimento está relacionada à capacidade de regeneração do órgão. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa viva pode doar parte do fígado justamente porque o órgão consegue se regenerar.
A cirurgia exigiu cuidados ainda maiores no caso de Isaac, que tinha apenas cinco meses. Desde a retirada do fragmento do fígado do pai até o implante no bebê, as etapas do procedimento precisaram considerar as dimensões da criança.
Atresia de vias biliares pode levar ao transplante
A atresia de vias biliares se manifesta em recém-nascidos e impede a passagem normal da bile para fora do fígado. Com a obstrução, o líquido se acumula no órgão e pode provocar lesões progressivas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a doença é a causa mais comum de transplante de fígado em crianças. O tratamento inicialmente pode incluir uma cirurgia para tentar restabelecer o fluxo da bile, mas parte dos pacientes evolui com comprometimento hepático e pode precisar de um transplante.