William Bonner está aproveitando uma liberdade que, durante anos, precisou deixar de lado. O jornalista revelou que passou a aceitar novamente pedidos de fotos, abraços e mensagens de fãs nas ruas, algo que evitava por receio de enfrentar novos episódios de hostilidade política.
A mudança foi comentada pelo apresentador durante entrevista ao canal Cá Entre Nós, comandado por Fátima Bernardes e Bia Bonemer. Bonner contou que atualmente não consegue mais recusar uma aproximação carinhosa do público. “Eu passei dez, doze, quase quinze anos da minha vida com gente botando o dedo na minha cara. Agora, quando alguém se aproxima e quer uma foto, quer me dar um abraço, quer que eu mande uma mensagem para a mãe, como é que eu vou dizer não?”, afirmou.
O jornalista disse que as abordagens pacíficas têm feito bem e resumiu o sentimento ao afirmar: “Meu coração está sorrindo”. Bonner também revelou que está feliz com essa nova relação com o público e espera que o momento continue.
A postura contrasta com um período em que o ex-âncora do Jornal Nacional chegou a evitar situações corriqueiras por medo de ser hostilizado. Segundo o próprio jornalista, os ataques vieram de grupos radicalizados de diferentes espectros políticos e chegaram a incluir ameaças e exposição de dados pessoais.
Em fevereiro deste ano, Bonner voltou a falar sobre o assunto durante um evento da Globo. Na ocasião, contou que era alvo de xingamentos e explicou por que acabou se tornando uma espécie de “para-raio” das manifestações contra a emissora.
A tensão chegou a interferir até mesmo na rotina familiar. Bonner contou que evitava voos curtos para não passar por constrangimentos e chegou a fazer viagens frequentes de carro entre Rio de Janeiro e São Paulo para acompanhar os pais durante períodos de doença.
Desde novembro do ano passado, quando deixou o comando diário do Jornal Nacional, o jornalista vive uma nova etapa profissional no Globo Repórter. A mudança também permitiu que ele voltasse a circular pelo país para gravar reportagens, aproximando-o novamente do público.
Para Bonner, o cenário atual não significa necessariamente que as pessoas tenham mudado de opinião, mas que o ambiente parece menos propício a manifestações públicas de intolerância contra jornalistas. “Eu estou muito feliz nessa situação e quero que isso perdure”, afirmou.