Elevador Lacerda pode ganhar novo nome em Salvador; entenda proposta

Elevador Lacerda pode ganhar novo nome em Salvador; entenda proposta

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Esther Morais

Jefferson Peixoto / Alô Alô Bahia

Publicado em 08/09/2026 às 17:15

O Elevador Lacerda, um dos principais cartões-postais de Salvador, pode ganhar um novo nome. Um projeto de lei apresentado pela vereadora Eliete Paraguassu (Psol-BA) propõe rebatizar o equipamento como Elevador Makota Valdina, em homenagem à educadora, liderança religiosa de matriz africana e referência da luta antirracista na Bahia.

O projeto foi protocolado na Câmara Municipal de Salvador nesta terça-feira (8) e o ofício na íntegra foi obtido pelo Alô Alô Bahia.

A proposta prevê a alteração oficial do nome do equipamento que liga a Praça Maria Felipa, no Comércio, à Praça Tomé de Souza, na Praça Municipal, no Centro Histórico da capital baiana.

Na justificativa, a vereadora argumenta que a mudança busca promover uma revisão da memória pública da cidade e ampliar o reconhecimento da contribuição da população negra para a formação de Salvador.

O texto também menciona pesquisas históricas sobre a família Lacerda e sua participação em atividades comerciais relacionadas ao tráfico de pessoas escravizadas no século XIX. Segundo a justificativa, a intenção não é apagar a história do equipamento, mas discutir criticamente os personagens homenageados nos espaços públicos da cidade.

“Não se pretende, com a presente proposição, apagar a importância histórica do equipamento ou negar sua trajetória. Ao contrário: pretende-se ampliar o significado de um dos maiores símbolos de Salvador”, afirma o documento.

Homenagem a Makota Valdina

Valdina de Oliveira Pinto, conhecida como Makota Valdina, foi educadora, intelectual, liderança religiosa e uma das principais referências da cultura afro-brasileira e da luta antirracista em Salvador.

Nascida e criada no Engenho Velho da Federação, ela teve atuação voltada à valorização das identidades negras, à defesa da liberdade religiosa, dos direitos das mulheres e à preservação dos saberes de matriz africana.

Makota Valdina também integrou espaços institucionais como o Conselho Curador da Fundação Cultural Palmares, o Conselho Estadual de Cultura da Bahia e o Conselho Municipal de Cultura de Salvador.

Para a autora da proposta, a escolha do nome possui ainda um simbolismo relacionado à função do Elevador Lacerda.

Assim como o equipamento conecta a Cidade Baixa à Cidade Alta, Makota Valdina teria dedicado sua trajetória à construção de pontes entre conhecimentos acadêmicos e ancestrais, educação formal e cultura negra, diferentes gerações e comunidades.

Caso o projeto seja aprovado pela Câmara e posteriormente sancionado, o Elevador Lacerda passará a se chamar oficialmente Elevador Makota Valdina.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia