Quando chega setembro, a vontade de comer comida baiana aumenta ainda mais. Mesmo que os convites estejam mais escassos, a tradição do caruru ainda tem força.
Mas o que tem no prato do caruru que é ofertado aos Ibejis e a São Cosme e São Damião? “O caruru de Cosme Damião é um evento que faz alusão às comidas votivas dos Orixás, está ligado à cultura de matriz africana, aos Ibejis, às crianças”, explica a chef Leila Carreiro, especialista em cozinha patrimonial.
Em setembro, o caruru é composto pelo cortado de quiabo, xinxim de galinha, farofa, arroz branco, vatapá, feijão fradinho, acarajé, abará. Quem faz o caruru como promessa ou com compromisso religioso, serve também milho branco, pipoca, cana, feijão preto, abóbora, inhame e acaçá. Cada elemento tem uma representatividade e é uma oferenda a um orixá.
Segundo o livro “Cozinhando Histórias – Receitas, Histórias e Mitos de Pratos Afro-brasileiros”, o quiabo é de Xangô; o feijão preto e a pipoca de Omolú; a banana da terra frita de Oxumaré; o acarajé é de Iansã; o abará e mulukun de Oxum e o inhame cozido de Oxalá.
É diferente do caruru ofertado em dezembro, para Iansã. “O caruru de Santa Bárbara tem como diferencial, além do tipo de corte do quiabo, o caruru não leva todos os pratos que vão para Ibejis vai comidas mais ligadas a Iansã, Oiá e Obá”, detalha Leila. E, se ainda não recebeu nenhum convite para um caruru, uma opção é aproveitar o prato completo no Restaurante Dona Mariquita, no valor de R$ 100.