A partir desta quinta-feira (3), a União Europeia aplica oficialmente o embargo que proíbe a entrada de produtos de origem animal vindos do Brasil. A restrição trava as exportações nacionais de carne bovina, suína e de frango, além de pescados, ovos e mel para todos os 27 países do bloco europeu.
A sanção, vale lembrar, não foi motivada por contaminações ou irregularidades sanitárias encontradas na carne brasileira.
O bloqueio ocorreu porque a União Europeia considerou insuficiente o controle feito pelo Brasil sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
As regras europeias proíbem a aplicação dessas substâncias para estimular o crescimento dos animais ou o uso veterinário de remédios que deveriam ser reservados exclusivamente para tratamentos humanos.
No setor agropecuário, a decisão foi recebida como um ato de protecionismo. O veto europeu foi anunciado em maio, dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
O tratado enfrenta forte resistência dos agricultores europeus, que temem a concorrência dos produtos sul-americanos. Vale destacar que Argentina, Uruguai e Paraguai não sofreram sanções e continuam autorizados a exportar.
O Brasil tenta reverter a medida desde o anúncio. O Ministério da Agricultura proibiu o uso de alguns antimicrobianos específicos e o setor pecuário desenvolveu um novo protocolo de rastreamento, monitorando o animal do nascimento ao abate para comprovar a ausência das substâncias.
Para acelerar a retomada, o bloco europeu realiza nesta semana uma auditoria nas cadeias de produção de frango e mel no Brasil. A inspeção termina na sexta-feira (4), mas o relatório final só será analisado pelo comitê europeu em novembro.
O impacto e o tempo de recuperação variam conforme a cadeia produtiva:
- Frango: Com um ciclo de produção curto, de cerca de 45 dias, a expectativa é retomar as vendas à Europa ainda neste ano. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) relatou ao g1 que a produção enviada à UE sempre foi separada da restante e já não utilizava os produtos proibidos, exigindo agora apenas mais fiscalização. Se o bloqueio continuar, a mercadoria será redirecionada ao mercado interno e a outros países compradores.
- Carne bovina: É o setor com o cenário mais complexo. Mesmo com a adesão das empresas exportadoras aos novos protocolos, um boi leva de 24 a 36 meses para estar pronto para o abate dentro das novas exigências. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pontuou ao g1 que a Europa compra apenas 5,8% da carne bovina brasileira, mas é um mercado estratégico por consumir cortes nobres. A entidade explicou que não é fácil transferir esses cortes premium para outros países, pois cada mercado exige um perfil diferente de produto.
- Mel: A suspensão freia um período de crescimento nas exportações. Conforme a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) explicou ao portal, as vendas para a União Europeia dobraram no primeiro semestre, atingindo US$ 6,3 milhões. O aumento ocorreu porque os produtores passaram a focar na Europa para fugir das altas taxas impostas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos.