A crise da Ponte Preta ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (26). No mesmo dia em que os jogadores decidiram paralisar as atividades por causa dos salários atrasados, o técnico Márcio Zanardi pediu demissão do clube. A saída foi comunicada à diretoria durante a tarde e confirmada pela equipe de Campinas no início da noite.
Segundo a Ponte Preta, o desligamento ocorreu a pedido do treinador. Zanardi já demonstrava desgaste com a situação enfrentada pelo clube e avaliou que não havia mais condições para continuar o trabalho. A possibilidade de precisar comandar um time formado, em sua maioria, por atletas das categorias de base no próximo domingo, contra o América-MG, em Belo Horizonte, também pesou na decisão.
A diretoria ainda busca um substituto. O vice-presidente e diretor de futebol, Marco Antonio Eberlin, afirmou à Rádio Bandeirantes de Campinas que começou a procurar treinadores no mercado ainda pela manhã, quando a saída de Zanardi já era tratada como provável. A expectativa é que um novo nome seja anunciado nesta quinta-feira.
A paralisação do elenco profissional também coloca em risco a realização da partida contra o América-MG. Caso os jogadores mantenham a suspensão das atividades, a Ponte Preta estuda utilizar atletas das categorias de base para evitar um W.O. O elenco informou que a paralisação continuará até que as pendências financeiras sejam regularizadas e que a decisão envolve tanto treinamentos quanto jogos.
Os jogadores já haviam alertado a diretoria na semana anterior. Segundo o grupo, alguns atletas estão há cerca de seis meses sem receber salários e direitos de imagem. Uma notificação foi entregue ao executivo João Brigatti e também encaminhada por e-mail à presidência e ao departamento jurídico, estabelecendo o dia 25 de agosto como prazo para a regularização dos pagamentos. No comunicado divulgado nesta quarta-feira, os atletas citaram a Lei Geral do Esporte e o direito de interromper as atividades em determinadas situações de atraso salarial.
Zanardi foi contratado em 11 de junho para substituir Rodrigo Santana, quando a Ponte Preta ocupava a vice-lanterna da Série B, com oito pontos. O treinador tinha contrato até o fim da competição, com possibilidade de renovação para a disputa da Série A2. Após 12 rodadas, o time passou a ocupar a última posição, com dez pontos.
Sob o comando de Zanardi, a Ponte Preta disputou 12 partidas, com dois empates e dez derrotas, aproveitamento de 5,5%. A passagem também foi marcada por declarações do técnico sobre as dificuldades enfrentadas pelo elenco. Nas últimas semanas, ele afirmou que jogadores vinham atuando sem condições físicas adequadas por falta de opções, citou que o volante André Lima precisou tomar uma injeção para entrar em campo e disse que outros atletas enfrentavam situação semelhante. Em outra declaração, afirmou que a Ponte Preta “vai fechar” caso não consiga se transformar em SAF.